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Banca comercial concentra 9,1 biliões Kz em títulos do tesouro e "vira as costas" ao crédito privado

Adnardo Barros
6/3/2026
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Foto:
DR

A exposição ao sector público representa cerca de 34% do total do activo da banca, avaliado em 26,2 biliões Kz.

Os investimentos da banca comercial angolana em títulos da dívida pública atingiram 9,1 biliões Kz em 2025, ultrapassando em mais de dois biliões Kz o stock de crédito concedido à economia, que se fixou em 6,8 biliões Kz.

Cálculos efectuados pela Economia & Mercado com base nas demonstrações financeiras dos 20 bancos revelam um crescimento de 22% na carteira de títulos públicos em relação ao período homólogo, quando os bancos emprestaram 7,5 biliões de Kz, num contexto de inflação e de taxas de juro positivas que continuam a favorecer o investimento em dívida pública em detrimento do financiamento ao sector privado.

Na prática, num cenário de crise, há mais probabilidade de os bancos reaverem os seus investimentos feitos ao Estado do que os concedidos às famílias, que, com a crise ou subida dos preços, têm mais dificuldades em honrar os compromissos junto da banca.

Numa análise publicada recentemente pela E&M, o presidente da Associação Angolana de Bancos (ABANC), Mário Nascimento, oferece uma leitura do peso dos títulos públicos nas carteiras dos bancos. No artigo de opinião, o responsável argumenta que a elevada exposição à dívida do Estado não resulta apenas de uma opção estratégica dos bancos, mas de uma imposição da própria estrutura da economia angolana.

"Não dispomos de alternativas domésticas robustas de financiamento. Os fundos de investimento e pensões são pequenos, as seguradoras têm balanços reduzidos, os particulares poupam pouco e o investimento estrangeiro de carteira é praticamente inexistente", escreve. Neste contexto, "a compra de títulos públicos pelo sector bancário é uma obrigação macroeconómica; os bancos cumprem essa função porque, simplesmente, mais ninguém o pode fazer".

BAI ultrapassa o BFA

O ranking dos maiores financiadores do Estado é liderado pelo Banco Angolano de Investimentos (BAI), que ultrapassou o Banco de Fomento Angola (BFA). O BAI, que também foi o banco mais lucrativo do ano, detém uma carteira de títulos públicos de 2,08 biliões Kz, um crescimento de 38% face aos 1,5 biliões Kz de 2024. Este montante representa cerca de 22,8% do total e reforça a sua posição como o principal "senhorio do Estado" entre os bancos comerciais.

Na segunda posição surge o Banco de Fomento Angola (BFA), com uma carteira de 1,80 biliões Kz, um crescimento de 12% face aos 1,6 biliões Kz do ano anterior. O Millennium Atlântico (BMA) ocupa o terceiro lugar, com 933 mil milhões Kz uma subida de 21% em termos homólogos.

O Standard Bank Angola (SBA) registou a maior expansão percentual entre os cinco maiores, ao sair de 336 mil milhões Kz para 749,6 mil milhões, um crescimento de 123%, conquistando a quarta posição. O Banco de Poupança e Crédito (BPC) fecha o top 5, com 639,6 mil milhões Kz, um aumento de 5,8% em relação a 2024.

Em sentido contrário, alguns bancos reduziram a exposição, com destaque para o Banco Caixa Geral Angola (BCGA), que registou uma redução de 36% na sua carteira, passando de 276,9 mil milhões Kz para 176,9 mil milhões Kz, e o Banco de Negócios Internacional (BNI), que diminuiu de 112,5 mil milhões Kz para 45,5 mil milhões Kz, uma quebra de 59,5%. O Access Bank Angola também registou uma descida de 31%, passando de 33,8 mil milhões para 23,3 mil milhões Kz.