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Angola prevê captar mais de 4 mil milhões USD no exterior para reforço da tesouraria

Teresa Fukiady
27/1/2026
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O financiamento destinado à tesouraria representa 48% do financiamento externo total previsto para o Orçamento Geral do Estado (OGE) de 2026.

Angola planeia mobilizar 3,83 biliões de kwanzas (mais de 4 mil milhões de USD) em financiamento externo para cobrir necessidades de tesouraria em 2026, segundo o Plano Anual de Endividamento (PAE), divulgado esta terça-feira, 27.

De acordo com o documento, consultado pela E&M, o montante será obtido sobretudo através dos mercados internacionais de capitais, que deverão assegurar 1,59 biliões de kwanzas (1,68 mil milhões de USD), seguindo-se operações de política de desenvolvimento (DPO) do Banco Mundial, no valor de 0,47 biliões de kwanzas (500 milhões de USD). Somam-se ainda financiamentos comerciais, estimados em 1,35 biliões de kwanzas (1,43 mil milhões de USD), que incluem operações de troca de dívida, nomeadamente um acordo de conversão de dívida em investimento no sector da saúde, avaliado em mil milhões de USD (942 mil milhões de kwanzas).

O financiamento destinado à tesouraria representa 48% do financiamento externo total previsto para o Orçamento Geral do Estado (OGE) de 2026, estimado em 7,93 biliões de kwanzas (8,41 mil milhões de USD). No global, o OGE 2026 apresenta uma necessidade de financiamento de 15,04 biliões de kwanzas (15,95 mil milhões de USD), dos quais 7,11 biliões de kwanzas (7,54 mil milhões de USD) deverão ser obtidos no mercado interno.

O recurso aos mercados externos ocorre num contexto de elevada pressão da dívida pública, com o PAE a estimar que o serviço da dívida governamental ascenda a 15,24 biliões de kwanzas (16,17 mil milhões de USD) em 2026, valor que poderá absorver 40% das despesas totais do OGE. Deste montante, cerca de 58% correspondem ao serviço da dívida externa, avaliado em 8,76 biliões de kwanzas, e 42% à dívida interna, fixada em 6,47 biliões de kwanzas.

Para este ano, prevê-se que o stock da dívida governamental se posicione em aproximadamente 60,99 biliões de kwanzas (64,733 mil milhões de USD), representando um rácio Dívida/PIB de 45%.

O PAE de 2026 prevê, ainda, um endividamento líquido positivo de aproximadamente 4,11 biliões de kwanzas (4,36 mil milhões de USD), resultante do aumento do stock da dívida interna na ordem dos 2,39 biliões de kwanzas e do aumento do stock da dívida externa em 1,72 biliões de kwanzas.

Para 2026, o Fundo Monetário Internacional (FMI) projecta que o crescimento económico de Angola se mantenha moderado, em torno de 2%, com uma recuperação gradual no médio prazo dependente dos progressos na diversificação da economia.

O Plano Anual de Endividamento de 2026 é o documento que estabelece os parâmetros para o financiamento do OGE, tendo em conta as fontes de financiamento (internas e externas) e considerando um nível de endividamento sustentável.