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Banco de Moçambique abandona o ciclo de cortes da taxa de juro após 12 consecutivos

Hermenegildo Langa
24/3/2026
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Foto:
DR

A decisão resulta do agravamento dos riscos e incertezas associados às projecções da inflação, com destaque para as cheias e inundações que condicionam a produção e a distribuição de bens.

O Banco de Moçambique (BdM) decidiu, esta segunda-feira, manter a taxa de juro da política monetária, conhecida como MIMO, em 9,25%, interrompendo o ciclo de reduções iniciado em Janeiro de 2024, após 12 de cortes consecutivos.

Em causa, segundo o governador do BdM, estão os efeitos do conflito no Médio Oriente, com impacto na cadeia logística global, bem como na oferta e nos preços de produtos energéticos e alimentares. Falando após a reunião bimestral do Comité de Política Monetária (CPMO), Rogério Zandamela reiterou que a manutenção da taxa resulta do agravamento dos riscos e incertezas associados às projecções da inflação, destacando os efeitos das cheias e inundações que condicionam a produção e a distribuição de bens no país.

“Esta decisão decorre da materialização e do agravamento substancial de alguns riscos e incertezas associados às projecções da inflação, com destaque para a eclosão do conflito no Médio Oriente e os seus impactos na cadeia logística, bem como na oferta e nos preços dos produtos energéticos e alimentares, que influenciaram a revisão em alta das perspectivas da inflação. Neste contexto, o CPMO interrompeu o ciclo de redução iniciado em Janeiro de 2024, condicionando as futuras decisões à evolução e materialização dos riscos e incertezas internos e externos”, explicou o governador do banco central moçambicano.

Na ocasião, o governador do BdM assinalou que os riscos e incertezas associados às projecções da inflação agravaram-se significativamente. “A nível doméstico, evidenciam-se igualmente o ritmo de reposição da capacidade produtiva e os efeitos da persistência do risco fiscal, com destaque para os atrasos nos pagamentos devidos pelo Estado”, anuiu.

Inflação e dívida pública pressiona economia

Esta segunda-feira, o governador do banco central avançou que o CPMO decidiu ainda rever em alta as perspectivas da inflação. Para o efeito, o responsável recordou que em Fevereiro de 2026, a inflação anual fixou-se em 3,2 %, após 3,0 % em Janeiro, enquanto a inflação subjacente, que exclui frutas, vegetais e bens com preços administrados, manteve-se estável.

“No curto e médio prazo, antevê-se um aumento dos preços, reflectindo, entre outros factores, os efeitos do conflito no Médio Oriente e o impacto das recentes inundações, não obstante a manutenção da estabilidade do metical”, salientou.

Entretanto, o endividamento público interno continua a agravar-se, condicionando o normal funcionamento do mercado financeiro, segundo o BdM. Persistem, segundo o responsável regulador pelo sistema financeiro moçambicano, atrasos no pagamento da dívida pública interna pelo Estado, com impactos na fraca apetência por títulos públicos e na rigidez das taxas de juro do mercado monetário interbancário.

“A dívida pública interna, excluindo os contratos de mútuo e de locação e as responsabilidades em mora, situa-se em 487,3 mil milhões de meticais (7,5 mil milhões de dólares), o que representa um aumento de 12,7 mil milhões (186,1 milhões de dólares) em relação a Dezembro de 2025”, frisou Zandamela.

Ainda assim, o Banco de Moçambique assegura que a direcção da política monetária continuará condicionada à avaliação dos riscos e incertezas subjacentes às projecções da inflação, lembrando que a próxima reunião ordinária do CPMO deverá acontecer a 27 de Maio próximo.