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Banco de Moçambique mantém juros em 9,25% mas agrava aumento de reservas obrigatórias

Hermenegildo Langa
26/5/2026
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Foto:
DR

A decisão de aumentar o coeficiente das Reservas Obrigatórias visa conter o excesso de liquidez que existe no sistema bancário.

O Banco de Moçambique (BdM) decidiu manter, esta segunda-feira, a taxa de juro de política monetária, conhecida como taxa MIMO, em 9,25%, num contexto marcado pelo agravamento das incertezas externas e pelo aumento dos riscos associados à evolução da inflação.

O anúncio foi feito pelo governador do banco central, Rogério Zandamela, após a reunião do Comité de Política Monetária (CPMO), numa decisão que acontece pela segunda reunião consecutiva.

As projecções de inflação foram revistas em alta. Em Abril de 2026, a inflação anual fixou-se em 4,4%, acima dos 3,4% registados em Março. Apesar de a inflação subjacente permanecer relativamente estável, o BdM admite uma aceleração dos preços no curto e médio prazo e não exclui que a inflação possa voltar a atingir dois dígitos, dependendo da duração e intensidade dos choques externos.

“O risco e as incertezas associados às projecções da inflação continuam a agravar-se”, assinalou o governador do banco central, destacando os efeitos do conflito geopolítico no Médio Oriente sobre as cadeias logísticas, os combustíveis e os preços dos bens alimentares.

Na mesma ocasião, o CPMO voltou igualmente a alertar para factores internos que continuam a limitar o funcionamento da economia, com destaque para os atrasos no pagamento da dívida pública e para os efeitos das inundações registadas no primeiro trimestre do ano. O Banco de Moçambique indicou que as próximas decisões continuarão dependentes da evolução dos riscos internos e externos e do comportamento da inflação.

Aumento das reservas obrigatórias

O Comité de Política Monetária (CPMO) do BdM decidiu igualmente aumentar o coeficiente de Reservas Obrigatórias para os passivos em moeda nacional (o metical) de 29 para 39% com a finalidade de absorver o excesso de liquidez que existe no sistema bancário moçambicano que, de acordo com a sua análise, “pode gerar uma grande pressão inflacionária”.

“A decisão de aumentar o coeficiente de Reservas Obrigatórias resulta da prevalência de elevadas incertezas relativas à duração do conflito no Médio Oriente e o consequente impacto sobre a cadeia logística e oferta de bens, bem como sobre os preços internacionais e domésticos dos combustíveis e alimentos”, enfatiza o banco central.

Em sentido inverso, o Banco de Moçambique decidiu manter inalterado em 29,5% o coeficiente de reservas obrigatórias para os passivos em moeda estrangeira, sinalizando uma actuação diferenciada entre os dois segmentos do mercado monetário.

A próxima reunião ordinária do Comité de Política Monetária está marcada para 29 de Julho.