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Banco de Moçambique volta a reduzir a taxa de juro de política monetária em meio a alertas

Hermenegildo Langa
30/1/2026
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Foto:
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A decisão sustenta-se nas projecções que apontam para a manutenção da inflação em níveis reduzidos no médio prazo.

O Banco de Moçambique BdM anunciou esta quarta-feira (28) a redução da taxa de juro de política monetária (taxa MIMO) de 9,50 % para 9,25 %, marcando o 12.º corte consecutivo desde o início do ciclo de flexibilização em Janeiro de 2024.

A decisão, segundo o Comité de Política Monetária (CPMO), sustenta-se nas projecções que apontam para a manutenção da inflação em níveis reduzidos no médio prazo.

“Apesar de persistirem riscos consideráveis — nomeadamente associados à possibilidade de inundações, ao agravamento das tensões geopolíticas e aos atrasos no pagamento da dívida pública interna — a trajectória da inflação continua sob controlo”, refere o BdM.

Na ocasião, o governador do banco central, Rogério Zandamela, lembrou que em Dezembro de 2025, a inflação anual situou-se em 3,2 %, abaixo dos 4,4 % registados em Novembro. Na mesma trajectória, a inflação subjacente evidenciou igualmente uma desaceleração, reflectindo na estabilidade do metical, contenção da procura interna e na moderação dos preços internacionais.

No entanto, o governador alertou que o ciclo de redução da taxa de juro iniciado em Janeiro de 2024 aproxima-se do seu limite. Neste sentido, o Banco de Moçambique considera que o actual ambiente de risco e incerteza (associados às cheias e inundações) poderá condicionar novas descidas da taxa mínima nos próximos meses. “Estamos próximos do fim do ciclo de flexibilização da política monetária”, sublinhou.

Incertezas face ao endividamento

Apesar de Moçambique estar a observar a redução da taxa MIMO desde o ano passado, o endividamento público interno continua a deteriorar-se, agravando as pressões sobre o sistema financeiro. De acordo com os dados do BdM, o stock da dívida interna ascende agora a 7,6 mil milhões de dólares, representando um acréscimo de 174 milhões de dólares em relação a Dezembro de 2025.

No mesmo sentido, os atrasos no pagamento de obrigações por parte do Estado também continuam a comprometer a liquidez no mercado, desincentivando a procura por títulos públicos e mantendo elevadas as taxas de juro no mercado interbancário.

“A postura da política monetária permanecerá prudente, estando dependente da evolução dos riscos e incertezas que afectam as perspectivas da inflação e da estabilidade macroeconómica nacional”, destacou Rogério Zandamela.

O mesmo cenário poderá ser observado no curto e médio prazo, onde o BdM destacam a nível doméstico, riscos e incertezas associados às projecções da inflação a magnitude do impacto das recentes inundações na cadeia logística e na oferta de bens, ritmo da reposição da capacidade produtiva, bem como os efeitos dos atrasos no pagamento da dívida pública pelo Estado.