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Bancos angolanos são ‘avessos’ ao risco

Fernando Baxi
28/5/2026
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Foto:
Andrade Lino

Visão crítica do partner da PwC é consequência do peso do crédito no total de activo dos bancos, que considerou (relativamente) reduzido.

O activo dos bancos angolanos é constituído (fundamentalmente) por instrumentos financeiros que têm ponderação de capital (muito) baixo, disse Fernando Vasconcelos, partner da PwC, aquando da intervenção na “Angola Banking Conference 2026”, evento realizado em Luanda, numa iniciativa da Revista Economia & Mercado em parceria com a PwC.

Para Fernando Vasconcelos, um dos três conferencistas da IV edição do “Angola Banking Conference”, alterar de forma significativa o actual balanço pode ter impacto na solvabilidade das instituições bancárias.

A visão crítica do partner da PwC é consequência do peso do crédito no total de activo dos bancos, que considerou (relativamente) reduzido. “A banca hoje parece-me bastante robusta, com níveis de solvabilidade muito elevados. Isso é um ponto fundamental, mas existem alguns riscos”.

Em termos comparativos, como se pôde depreender das declarações de Fernando Vasconcelos, os bancos angolanos (num total de 22 instituições)  perdem para as congéneres do continente africano e do resto do mundo.  

“Se olharmos para a estrutura de activos do sistema bancário angolano, a comparar com outros países africanos e de outras geografias, verificamos que o crédito no total de activo da banca angolana é relativamente baixo”, disse o partner da consultora que foi e co-organizadora do evento. 

O ‘fenómeno’ (fraca posição do crédito da estrutura do activo bancário), fazendo juz às declarações do consultor  da PwC, ocorre por duas razões: a elevada taxa das reservas obrigatórias e a atractividade da dívida pública.                

“Existe uma percentagem grande dos depósitos que têm que ser constituídas reservas obrigatórias, o que limita a capacidade de financiamento por parte dos bancos. Boas yields, risco baixo, não tem ponderação para para requisitos de capital”, disse Fernando Vasconcelos. 

O tema levantado por Fernando Vasconcelos na conferência (a 27 de Maio de 2026) que reflectiu sobre o “Futuro da Banca em Angola: Resiliência, Inovação e Sustentabilidade do Negócio”, também mereceu a observação de Fortunato Ventura, economista que já fez parte do board de um banco.

“Os bancos têm grande parte do dinheiro investido em activos considerados seguros, por isso reservam pouco capital próprio para cobrir riscos”, afirmou.                         

A ‘estratégia’ dos bancos angolanos, prosseguiu Fortunato Ventura,   transmite estabilidade ao sistema bancário; há menos probabilidade de falências; a banca consegue cumprir mais facilmente às exigências do regulador (BNA) e há mais protecção contra crises financeiras.

Em sentido inverso, alegou, os bancos podem estar a emprestar pouco às empresas e família; há menos financiamento para os negócios, fábricas, agricultura e investimento privado. “A economia cresce mais devagar, o crédito fica caro ou mais difícil de obter”.