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Choques externos e escassez de divisas travam crescimento da economia moçambicana

Hermenegildo Langa
19/6/2026
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A actividade económica desacelerou no primeiro trimestre, evidenciando um enfraquecimento de funcionamento da economia e um aumento das preocupações do sector empresarial.

A estabilidade macroeconómica em Moçambique alcançada nos últimos meses não foi suficiente para garantir o crescimento sustentável da economia nacional, embora importante. A constatação é da Confederação das Associações Económicas(CTA) de Moçambique, que afirma que actividade económica desacelerou no primeiro trimestre de 2026, evidenciando um enfraquecimento das condições gerais de funcionamento da economia e um aumento das preocupações do sector empresarial.

Os dados constam no Economic Briefing sobre “desempenho empresarial do primeiro trimestre de 2026 e perspectivas” apresentado esta quinta-feira pelo empresariado moçambicano. Os números são quase “sombrios”, revelando contracção dos principais índices económicos.

“Os dados indicam que o Índice de Ambiente Macroeconómico registou uma redução de 62% no último trimestre de 2025 para 55% no primeiro trimestre de 2026, evidenciando um enfraquecimento das condições gerais de funcionamento da economia e um aumento das preocupações do sector empresarial”, disse o presidente da CTA, Álvaro Massingue.

Adicionalmente, nos primeiros meses do ano, o Índice de Robustez Empresarial reduziu de 28% para 26%, sinalizando uma deterioração da resiliência empresarial face aos múltiplos choques económicos e operacionais, “exigindo respostas coordenadas que reforcem a capacidade produtiva e a competitividade da economia moçambicana”.

Para o presidente da CTA, os dados representam uma desaceleração da actividade económica durante o trimestre, defendendo “a implementação de reformas estruturais destinadas a reduzir os custos, para minimizar os problemas que continuam a afectar a actividade empresarial”.

Entre as prioridades apontadas, destacam-se a melhoria do acesso ao financiamento, a modernização das infra-estruturas económicas, a simplificação dos procedimentos administrativos, o reforço da disponibilidade de divisas e a eliminação de barreiras que limitam a competitividade das empresas nacionais.

Segundo o líder da maior entidade patronal de Moçambique, a actual conjuntura económica exige acção imediata e decisões corajosas por parte de todos os intervenientes, incluindo o Governo, o sector privado e os parceiros de desenvolvimento.

“A estabilidade macroeconómica deve traduzir-se em benefícios concretos para as empresas e para os cidadãos. O fortalecimento da produção nacional, da industrialização e das exportações deverá ocupar um lugar central na agenda económica do país”, frisou Massingue, manifestando confiante quanto ao potencial de crescimento de Moçambique.

Choques e crise de divisas “amputam” o crescimento

Mais do que exigir medidas arrojadas, a CTA lembrou que o primeiro trimestre de 2026 decorreu num contexto particularmente exigente para a economia moçambicana, pois “o país continuou a enfrentar os efeitos combinados de choques internos e externos que condicionaram o desempenho da actividade económica e a confiança empresarial”.

Mas também “há limitações persistentes no acesso a divisas e no abastecimento de combustíveis”, resultante de um ambiente internacional marcado por crescentes incertezas geopolíticas e económicas.

Ainda assim, há sinais considerados “encorajadores” para a economia. A inflação que se manteve em níveis moderados, situando-se em torno de 4,1%, preservando um ambiente de relativa estabilidade de preços, a taxa de câmbio que continuou a apresentar um comportamento estável, contribuindo para uma maior previsibilidade das operações empresariais, são vistos pelo empresariado moçambicano sendo sinais que tiveram em conta para a capacidade de resistência das empresas.

Apesar dos desafios, o sector privado moçambicano aponta para os próximos meses uma recuperação gradual da actividade económica, suportada pela continuação da estabilidade macroeconómica e pela normalização progressiva das atividades produtivas em algumas regiões do país.

Na ocasião, o ministro moçambicano da Economia, Basílio Muhate, reconheceu os desafios, defendendo cooperação entre o Governo e o sector privado, enfatizando que o actual quadro macroeconómico “exige o reforço da cooperação entre o Governo e o sector privado”. “Há necessidade de fortalecer a resiliência da economia e criar condições para um crescimento sustentável e inclusivo”, afirmou.

O governante avançou ainda que, de Janeiro a Março, Moçambique arrecadou 114 milhões de dólares em resultado de exportações de bens e serviços, o que representa um saldo positivo das vendas moçambicanas. “Este resultado demonstra que Moçambique está a reforçar a sua capacidade produtiva, a gerar mais divisas e a consolidar a sua presença nos mercados regionais e internacionais”, concluiu Muhate.