O Governo de Moçambique disponibilizou 74 milhões de dólares em subvenções ao sector privado, através do Fundo Catalítico, para impulsionar a recuperação empresarial afectada por choques climáticos (cheias, inundações e ciclones), fortalecer a produção nacional e apoiar pequenos produtores.
O anúncio foi feito este sábado, em Nacala (no Norte de Moçambique), pelo Presidente Daniel Chapo, durante a cerimónia de entrega de cheques gigantes da V Edição do Fundo Catalítico – Fundo de Recuperação Empresarial – e da VI Edição do Fundo Catalítico, integrada no Programa de Economia Rural Sustentável (MozRural).
Na ocasião, o estadista moçambicano reafirmou que o seu Governo pretende continuar a mobilizar recursos para acelerar a recuperação das empresas e estimular o crescimento económico.
No âmbito da V Edição do Fundo de Recuperação Empresarial, o Executivo moçambicano financiou 93 empresas afectadas pelos ciclones Chido e Jude e por outros fenómenos extremos que atingiram as províncias de Nampula, Cabo Delgado e Tete (no Norte e Centro de Moçambique, respectivamente).
Do total das empresas beneficiadas, 44 pertencem à província de Nampula, 28 a Cabo Delgado e 21 à província de Tete.
Para esta edição foram mobilizados quase 4 milhões de dólares, equivalentes a 245 milhões de meticais, permitindo um financiamento médio de cerca de 42 mil dólares, ou aproximadamente 2,6 milhões de meticais por empresa.
Segundo o Presidente da República, todas as empresas aprovadas já receberam a primeira tranche do financiamento, estando previsto que aquelas que concluíram com sucesso a execução inicial recebam ainda durante este mês de Julho o segundo e último desembolso.
“O nosso objectivo, como Governo, é produzir mais, exportar mais, consumir mais para gerar riqueza não só para os financiados, mas combater a fome no seio do povo moçambicano e aumentar as exportações”, afirmou Chapo.
Além da recuperação das empresas afectadas pelas calamidades, o Governo considera que os financiamentos permitirão investir na melhoria de infra-estruturas, aquisição de meios circulantes, compra de insumos, bem como na manutenção e criação de novos postos de trabalho.
Durante a cerimónia, foram igualmente entregues cheques da VI Edição do Fundo Catalítico, enquadrada no Programa de Economia Rural Sustentável (MozRural), lançado em Agosto de 2025.
Nesta componente, 24 empresas do sector dos agro dealers beneficiaram de uma subvenção global de 3 milhões de dólares, enquanto seis empresas do sector de sementes receberam, no conjunto, 851 mil dólares.
O Presidente destacou que, somando todas as edições do mecanismo, o Governo já colocou à disposição do sector privado nacional cerca de 74 milhões de dólares em subvenções, recursos que, segundo afirmou, já estão a produzir resultados junto das empresas e dos pequenos produtores moçambicanos.
“Com os cheques que hoje entregamos às empresas contempladas, o nosso Governo já colocou à disposição do sector privado nacional, através deste mecanismo de financiamento, cerca de 74 milhões de dólares norte-americanos, com benefícios tangíveis para empresas e pequenos produtores moçambicanos”, declarou.
O Chefe do Estado defendeu maior rapidez e transparência na gestão dos fundos, orientando as entidades responsáveis pelo programa a acelerarem os desembolsos. “Queremos orientar as entidades de gestão deste programa de recuperação empresarial para maior transparência e celeridade no desembolso dos valores alocados, para permitir que as empresas possam desenvolver as suas actividades sem constrangimentos”, afirmou.
O Presidente moçambicano destacou igualmente o apoio do Banco Mundial, parceiro estratégico do Governo na implementação do Fundo Catalítico, associando os 74 milhões de dólares já disponibilizados ao reforço da cooperação internacional e aos esforços de mobilização de financiamento externo.
“Esses cerca de 74 milhões de dólares para estes jovens que receberam os fundos aqui resultam destas nossas viagens, desta nossa amizade e desta nossa contínua busca de financiamento. Os resultados estão aqui à vista”, frisou.
O Governo reafirmou ainda que continuará a procurar novas fontes de financiamento para reforçar instrumentos como o Fundo de Desenvolvimento Económico Local (FDEL), do qual 60% dos recursos são destinados à juventude, e o programa EMPODERA, dirigido exclusivamente ao financiamento de iniciativas empresariais de mulheres.
Burocracia atrasa recuperação empresarial
Apesar da contínua mobilização de financiamento, o sector privado moçambicano relata desafios persistentes que impedem a rápida recuperação da actividade empresarial. O presidente da Confederação das Associações Económicas (CTA) em Moçambique, Álvaro Massingue, lembra que a proliferação de taxas associada a burocracia fiscal, encargos administrativos, o elevado custo de factores de produção e escassez de divisas continuam a desafiar a recuperação empresarial que ciclicamente tem sido afectada por factores climáticos.
“A proliferação de taxas e encargos administrativos reduz a competitividade das nossas empresas e limita o investimento. Defendemos que qualquer medida com impacto económico seja precedida de uma avaliação conjunta dos seus efeitos sobre a competitividade e que a sustentabilidade fiscal seja alcançada através do crescimento económico, da ampliação da base tributária, do aumento da eficiência do Estado, e não do aumento dos encargos para as empresas”, defendeu o presidente da CTA.
No mesmo pensamento, o presidente da Fundação para a Competitividade Empresarial (FUNDEC) em Moçambique, Agostinho Vuma, afirma que as empresas enfrentam dificuldades persistentes de acesso ao crédito, elevados custos financeiros e fraca confiança económica.
Falando no lançamento da primeira edição do FUNDEC Economic Outlook 2026, acompanhada da apresentação do Índice de Emprego e Produtividade (IEP) e da segunda edição do Rating Empresarial e Financeiro (REF), Vuma explicou que “os indicadores são baseados em evidência para apoiar a formulação de políticas públicas e as decisões empresariais”.











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