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Corredor do Lobito: Zâmbia e RDC defendem corredor diversificado para além dos minérios

Adnardo Barros
5/2/2026
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Foto:
Isidoro Suka

Não podemos ter apenas comboios a transportar cobre. Queremos comboios que carreguem produtos agrícolas, aditivos, e que expandam os mercados internos”, ministro das Finanças.

Os governos da Zâmbia e da República Democrática do Congo (RDC) estabeleceram, esta quinta-feira em Luanda, os passos concretos para a execução do Corredor de Lobito. Durante a reunião de Coordenação, as delegações indicaram que o projecto deve avançar da fase de planeamento para a de implementação.

O ministro das Finanças da Zâmbia, Sutumbeko Musokotwane, delineou uma visão abrangente e exigente para o Corredor de Lobito, argumentando que o projecto requer uma transição urgente da retórica para a acção prática e uma ambição que vá muito além do transporte de minérios.

O foco da sua intervenção, no entanto, centrou-se na definição de um modelo económico sustentável para o corredor. “Não podemos ter apenas comboios a transportar cobre. Queremos comboios que carreguem produtos agrícolas, aditivos, e que expandam os mercados internos”, projectou. Esta diversificação, sustentou, é fundamental para que a via férrea seja financeiramente viável e não se torne um “activo sub-utilizado”.

Para materializar esta visão, o ministro zambiano exigiu resultados tangíveis da reunião de Luanda. “Até ao final deste encontro, o mapa de caminho para a implementação deve estar claro. Precisamos de um plano técnico detalhado, passo a passo, que defina as actividades económicas que vão dar vida a este corredor”, afirmou.

Do lado da RDC, o vice primeiro ministro Jean-Pierre Bemba, afirmou esta quinta-feira que o Corredor de Lobito representa muito mais do que uma infra-estrutura de transporte, definindo-o como “uma escolha estratégica de transformação económica, um instrumento de soberania logística e um nível de integração regional durável” entre Angola, Zâmbia e a RDC.

“Não queremos um corredor limitado ao transporte de matéria-prima. Queremos um corredor económico integrado, capaz de estruturar os territórios que atravessa, criar valor localmente, gerar emprego durável e reforçar a competitividade da África Austral nas cadeias de valor globais”, declarou Jean- Pierre Bemba.

A abordagem do país, explicou, é multimodal e multissectorial, integrando o caminho-de-ferro com estradas, energia, fibra óptica, plataformas logísticas, zonas industriais e o desenvolvimento de cidades secundárias. O núcleo desta visão é a modernização e o aumento da capacidade do eixo ferroviário entre Sakania, Lubumbashi, Tenke, Coloeshi, Dilolo e Lobito, descrito como a “verdadeira espinha dorsal económica regional”.