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Crédito à habitação cresce 3% para 89,1 mil milhões Kz

Adnardo Barros
20/1/2026
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Foto:
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Quase a totalidade dos recursos continua a ser canalizada para a aquisição de imóveis usados ou já construídos.

O valor dos empréstimos à habitação, no âmbito dos avisos do Banco Nacional de Angola (BNA), cresceu 3% para 89,1 mil milhões de kwanzas em 2025, comparativamente ao ano anterior, que se cifrou em 86,6 mil milhões de kwanzas, segundo apurou a calculadora da Economia & Mercado.

Apesar do crescimento, os dados mais recentes, apresentados na Sessão de Apresentação do Balanço e Perspectivas da Política Monetária e Cambial, mostram que o aumento abrangeu 2 020 operações e representou 36,24% de todo o crédito à habitação no sistema financeiro.

Paralelamente, mantém-se fraca a representatividade da carteira de crédito destinada à construção. Quase a totalidade dos recursos continua a ser canalizada para a aquisição de imóveis usados ou já construídos, sem incentivos para financiar novas obras. Esta limitação no crédito à construção é apontada como um dos principais entraves ao aumento da oferta de habitação nova, essencial para mitigar o défice habitacional no país.

Crédito à Economia Real concentra-se em Luanda

De acordo com os dados divulgados, 51,44% do crédito foi absorvido por Luanda, e 54% destinou-se a grandes empresas, enquanto 17% das operações se encontram em situação de incumprimento.

Segundo o governador do BNA, Manuel Tiago Dias, o crédito à economia real cresceu 22,6% em comparação com 2024, totalizando 1,36 biliões de kwanzas. Apesar de considerar os números “encorajadores”, o responsável salientou que o crescimento foi inferior ao registado no período anterior, que se situou em cerca de 30%.

Sobre a concentração do crédito em Luanda e nas grandes empresas, Manuel Tiago Dias considerou tratar-se de uma situação “natural”, dado que cerca de 80% das empresas e aproximadamente 30% da população angolana residem na capital. No entanto, defendeu a necessidade de promover uma maior distribuição do crédito pelas restantes províncias, atribuindo às associações empresariais um papel central no apoio e aconselhamento aos empresários.

Os dados apresentados indicam que, embora Luanda continue a liderar a absorção de crédito, a sua quota registou uma redução face a anos anteriores, quando chegou a atingir 70%. Em contrapartida, a região leste do país mantém-se praticamente excluída do acesso ao financiamento, com exceção das províncias da Lunda Norte e Lunda Sul.