O agravamento do conflito no Médio Oriente provoca um efeito dominó sobre as cadeias globais de abastecimento de fertilizantes, com reflexos directos nos preços e na segurança alimentar de nações africanas e de outras regiões dependentes de importações. Em poucos meses, o valor da tonelada do insumo saltou de cerca de 500 dólares para mais de 700 dólares, segundo monitorizações do sector.
Dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) indicam que mesmo uma contracção de 10% na oferta de fertilizantes pode reduzir em até 25% a produção de milho, arroz e trigo na África Subsariana. O organismo projecta também que um choque dessa magnitude poderia gerar uma subida de até 8% nos preços dos alimentos em todo o continente.
A interrupção afecta componentes essenciais da formulação de fertilizantes como amónia, ureia, fosfato e enxofre, todos considerados críticos para a produtividade agrícola. A região da África Subsariana importa cerca de 80% dos fertilizantes que consome, o que a torna particularmente vulnerável a turbulências externas. A situação agrava-se com a elevação dos custos de frete, as restrições ao crédito e os estrangulamentos logísticos persistentes.
Neste cenário, a China, um dos maiores produtores mundiais de fertilizantes, impôs novas limitações às exportações, acirrando ainda mais o desequilíbrio entre oferta e procura. Como resultado, os preços da ureia registaram um aumento de 40%. A medida intensificou a concorrência pelos stocks disponíveis, o que deixa os compradores africanos com menos alternativas e custos mais elevados.
O impacto mais severo recai sobre os pequenos agricultores, responsáveis por quase 70% da produção de alimentos na África Subsariana. Ao contrário das grandes explorações agrícolas comerciais, estes produtores não dispõem de poder de compra nem de capacidade de armazenagem para se protegerem contra oscilações bruscas de preços ou para assegurarem compras antecipadas em grande quantidade.


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