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Deloitte prevê aumento de 11% no investimento em hidrocarbonetos este ano

Cláudio Gomes
29/1/2024
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Foto:
DR

Estimativas da consultora apontam para mais de USD 800 mil milhões em fluxos de caixa livres durante o ano em curso, conforme informações disponíveis numa nota recepcionada hoje, segunda-feira.

O documento consultado pela Economia & Mercado indicam que o nível de investimento em hidrocarbonetos atingirá os USD 580 mil milhões este ano, representando um aumento de 11% em relação ao ano de 2023. “A estimativa é que sejam gerados mais de  USD 800 mil milhões em  fluxos de caixa livres ao longo do ano”, lê-se.

Segundo o estudo Oil & Gas  Industry Outlook 2024 da Deloitte, que anualmente avalia as perspectivas para o sector em referência, as projecções assentam-se no facto da indústria global de petróleo e gás ter um arranque sólido no ano em curso, impulsionado, sobretudo, pela robustez financeira e pelos elevados preços do petróleo.

Citado na nota, o partner da Deloitte para o Sector de Energia, Recursos e Indústria, Frederico Martins Correia, disse que 2024 será um ano de consolidação para a indústria petrolífera para Angola.

Na óptica do especialista, a saída de Angola da OPEP permitirá manter o objectivo de incremento de produção e superar o valor médio de 1,2 milhões de barris por dia. Por outro lado, salienta o facto da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG) estar a garantir contratos-chave para o sector em novos campos offshore, onshore e campos marginais de  actuais concepções.

“Por último, o Orçamento Geral do Estado (OGE 2024) foi realizado com base no preço referência  do Brent inferior a USD 70, o que dá alguma tranquilidade em relação a possíveis flutuações”, explicou Frederico Martins Correia.
partner da Deloitte para o Sector de Energia, Recursos e Indústria - Frederico Martins Correia

Neste contexto, a nota da Deloitte destaca cinco tendências apontadas no estudo em referência que na visão dos analistas da consultora vão desempenhar um papel crucial na definição  das estratégias e das prioridades das empresas de petróleo e gás em 2024.

A primeira tendência está relacionada com a transição energética, onde espera-se a alocação prudente de capital e execução eficaz de políticas de energia  limpa; a seguir os minerais críticos, que segundo a Deloitte, terão uma participação activa na transição energética, assegurando uma posição  estratégica na cadeia de abastecimento para enfrentar riscos do mercado final.

A terceira tendência é comércio global de energia, que poderá ser influenciado pela interacção da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e dos seus parceiros na gestão dos  fornecimentos de energia e a situação actual no Médio Oriente. O quarto factor de destaque é o investimento em tecnologia, que através da da implementação da Inteligência Artificial (IA) generativa poderá promover soluções inovadoras e maior criação de valor.

Por último, e não menos importante, a quinta tendência que é o subsector da refinação e distribuição, que promoverá a eficiência e a sustentabilidade através da renovação da indústria de refinação em alinhamento com os  padrões da procura.

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Fusões e aquisições no oil & gas

A nota da Deloitte, que sita o estudo Oil & Gas  Industry Outlook 2024, refere que 2024 poderá ser um ano “muito dinâmico do ponto de vista das fusões e aquisições na  indústria de petróleo e gás”.

Segundo o documento, as propostas de aquisição da Pioneer Natural Resources pela ExxonMobil e  da Hess Corp pela Chevron Corporation, por USD 64,5 mil milhões e 60 mil milhões, podem dar início a uma nova era de “mega negócios” e de consolidação na indústria, de um modo geral, e em  particular no sector petrolífero em particular.

“Também o preço actual do petróleo e do gás e o número limitado de projectos de perfuração a nível global  podem levar alguns grandes compradores a adquirir novas áreas e a procurar melhorar a eficiência  operacional através de fusões e aquisições”, informa a Deloitte.

No entanto, lê-se na nota, paralelamente, as incertezas regulamentares e geopolíticas,  combinadas com os elevados custos de capital, podem atrasar algumas decisões de investimento a nível  global.

Prevê, no entanto, que qualquer flutuação do dólar americano com relação a outras moedas, combinado com a trajectória da actividade industrial e consumo da sociedade civil, poderá ter impacto na inflação, influenciando também os preços do petróleo neste ano.  

A consultora realça, também, que a solidez financeira da indústria implica, portanto, expectativas elevadas por parte dos investidores do sector de oil & gas, reguladores e de outros stakeholders, que esperam avanços na redução de emissões, o reforço do  investimento em energias de baixo carbono e ganhos mais elevados para os accionistas. “Este cenário promete ser um catalisador para que a indústria se foque ainda mais na redução de emissões e no  desempenho económico”, ressalta a consultora.

“Deloitte” refere-se a uma ou mais firmas membro e respectivas entidades relacionadas da rede global da Deloitte Touche  Tohmatsu Limited ("DTTL"), e conta com aproximadamente 330.000  profissionais.