A economia verde de África pode criar pelo menos 3,3 milhões de novos empregos directos até 2030, com a maioria no sector de energia renovável, particularmente solar, de acordo com o "Forecasting Green Jobs in Africa", um relatório publicado pela Shortlist e a FSD Africa, com análise do Boston Consulting Group.
O estudo fornece previsões detalhadas para cinco países-alvo, nomeadamente República Democrática do Congo (RDC), Etiópia, Quénia, Nigéria e África do Sul, que juntos respondem por mais de um quinto (pelo menos 22%) dos novos empregos, e em sectores-chave como energia renovável, e-mobilidade, agricultura, construção e manufatura.
A previsão do Forecasting Green Jobs in Africa indica que a África do Sul deve criar entre 85.000 e 275.000 novos empregos verdes até 2030, principalmente em produção de energia, agricultura e natureza. Os dados indicam que o sector solar lidera a criação de empregos na África do Sul, com 140.000 postos projectados.
Para a Nigéria, um país onde a aquicultura e a avicultura lideram a criação de empregos, com 69.000 postos projetados, o relatório prevê que se crie, até 2030, entre 60.000 e 240.000 novos empregos verdes.
Quanto ao Quénia, prevê que se crie entre 40.000 e 240.000 empregos verdes até 2030. Os dados indicam que o sector solar lidera a criação de postos de trabalho no Quénia, com estimativa para empregar pelo menos 111.000 pessoas até ao final da década.
A Etiópia, por sua vez, verá entre 30.000 e 130.000 novos empregos verdes até 2030, principalmente em energia e produção de energia, de acordo com o relatório Shortlist e a FSD Africa.
A geração de energia hidrelétrica, com 33.000 postos projectados, lidera como um sector de criação de empregos na Etiópia.
Por último, o documento prevê que na República Democrática do Congo (RDC) crie entre 15.000 e 45.000 novos empregos verdes até 2030, principalmente na produção e distribuição de energia.
Citado pela Farmers Review, o documento publicado pela Shortlist e a FSD Africa diz que a previsão de empregos verdes na África" ressalta a importância crítica de uma força de trabalho qualificada como um insumo que acelera as indústrias verdes africanas, enfatizando a necessidade de investimentos substanciais no desenvolvimento de habilidades e mobilização da força de trabalho.
“Os milhões de empregos criados na revolução verde também contribuirão para a formalização das economias africanas e para a inclusão de populações inteiras em sistemas estáveis de remuneração, seguridade social e tributação pela primeira vez”, lê-se no documento, que aponta para os investimentos direcionados em sectores e cadeias de valor de alto potencial, a promoção da colaboração intersectorial entre governos, sector privado, instituições educacionais e investidores e para o desenvolvimento de políticas abrangentes como principais estratégias para se cultivar o ecossistema de empregos verdes em África.
Além disso, pede uma análise mais aprofundada e granularidade das principais cadeias de valor da demanda de trabalho para identificar a actual oferta de mão de obra qualificada do continente e quaisquer lacunas potenciais.
De acordo com a notícia da Farmers, embora alguns especialistas tenham sugerido que pelo menos 100 milhões de empregos verdes podem ser criados até 2050, o Forecasting Green Jobs in Africa analisa o potencial de criação de empregos de apenas 12 subsectores ou cadeias de valor específicos até 2030.
Significativamente, prevê que 60% do emprego gerado pela economia verde nos próximos seis anos será de natureza qualificada ou de colarinho branco. Dentro destes, entende que 10% constituem "empregos avançados" (altamente qualificados, exigindo diplomas universitários para serem cumpridos), enquanto outros 30% projectados como "especializados" (exigindo certificação ou treinamento vocacional) e 20% de ênfase administrativo.
Entretanto, explica que esses tipos de trabalho tendem a atrair salários mais altos e que, portanto, desempenharão papel central no estímulo ao crescimento da classe média em países que hospedam esses sectores de alto crescimento.
“Importante também é a estabilidade dos empregos não qualificados criados, o que oferecerá aos candidatos subidas na escala de emprego, cuja empregabilidade será reforçada pelo acesso à formação e à experiência.
De acordo com a notícia da Farmers, a África do Sul, Quénia e Nigéria representam o maior potencial de criação de empregos (16%) devido à população, Produto Interno Bruto (PIB) e maturidade da indústria.
Estima, além disso, que o sector de energia renovável gere até 2 milhões de empregos (70% do total), dos quais 1,7 milhão em energia solar.

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