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Fome extrema recua, mas mais de 70% dos angolanos continuam sem acesso adequado a alimentos, segundo o INE

Teresa Fukiady
16/4/2026
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Foto:
DR

No ano passado, 11,7% da população viveu em situação de insegurança alimentar severa, caracterizada por episódios de fome e, nos casos mais extremos, dias sem alimentação.

Mais de 70% dos angolanos (sete em cada dez) enfrentaram dificuldades no acesso regular a alimentos, apesar da redução da fome extrema em 2025, avança o relatório sobre a Escala de Experiência de Insegurança Alimentar (Food Insecurity Experience Scale - FIES na sigla em inglês), divulgado nesta quarta-feira, 15, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

O estudo indica que a prevalência da insegurança alimentar severa diminui 6,9 pontos percentuais, enquanto a insegurança moderada aumentou 6,6%. Na prática, a fome extrema diminui, mas cresceu o número de pessoas com dificuldades de garantir uma alimentação adequada.

No ano passado, 11,7% da população (mais de quatro milhões de pessoas) viveu em situação de insegurança alimentar severa, caracterizada por episódios de fome e, nos casos mais extremos, dias sem alimentação. Já 59,2% dos angolanos, o equivalente a cerca de 22 milhões de pessoas, enfrentaram insegurança alimentar moderada, marcada pela incerteza no acesso a alimentos e pela redução da qualidade ou quantidade das refeições por falta de recursos. Em contraste, apenas 29,4% da população (cerca de 11 milhões de pessoas) teve acesso relativamente estável à alimentação.

A pesquisa a que a E&M teve acesso aponta que as zonas rurais continuam a ser as mais afectadas, com níveis mais elevados de insegurança alimentar, sobretudo moderada.  No conjunto do País, a taxa de insegurança alimentar moderada ou severa atingiu 70,9% da população em 2025.

A nível de províncias, o Cuando teve a incidência mais elevada (98,4%), seguido do Zaire (95,3%), Lunda-Norte (93,6%) e Cubango (93,5%). Em sentido inverso, Kwanza-Sul (56,1%), Icolo e Bengo (50,3%) e Malanje (50%) registam os níveis mais baixos.

Relativamente à insegurança alimentar severa, os níveis mais elevados foram registados no Cuando (31,3%), Lunda-Norte (28,9%) e Cubango (26,5%). Já as menores prevalências no Moxico, Malanje, Uíge e Kwanza-Sul com 5,3%, 5,2%, 4,6% e 2,9%, respectivamente, evidenciando menores níveis de privação severa no acesso a alimentos.

Mais de metade das famílias em insegurança alimentar moderada

Entre os agregados familiares, mais de metade (59%) enfrentou insegurança alimentar moderada, enquanto 11,5% viveu em situação severa. Apenas 29,4% não registaram dificuldades no acesso a alimentos nutritivos, encontrando-se em situação de segurança alimentar ou de insegurança leve.

Os dados mostram ainda que os níveis mais elevados de privação entre os agregados familiares concentram-se no Cuando (97,8%), Zaire (95,6%), Cubango (94,1%), Moxico Leste (92,5%) e Lunda-Norte (92,0%), indicando que cerca de 9 em cada 10 famílias  enfrentam limitações na qualidade e/ou quantidade da alimentação. 

Por outro lado, a província do Cuanza Sul apresenta a menor prevalência de insegurança alimentar moderada ou severa (56,3%), o que quer dizer que aproximadamente 6 em cada 10 agregados familiares sofrem de prejuízos na qualidade e/ou quantidade da alimentação consumida. É seguida pelas províncias de Malanje e Icolo e Bengo, com 49,7% e 48,9%, respectivamente.

O INE integra, desde 2019, a escala FIES no Inquérito sobre o Emprego. Esta medida, explica a instituição, tem permitido produzir indicadores robustos sobre a insegurança alimentar do país, numa periodicidade anual, desagregados a nível nacional e provincial e comparáveis internacionalmente. Até ao momento, a instituição já publicou dois relatórios, o primeiro referente a 2019 e o segundo que compila dados de 2020 a 2023. O documento agora divulgado corresponde ao terceiro relatório, com dados relativos a 2025.