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Garimpo representa entre 30% e 40% da actividade ilegal no sector florestal

Sebastião Garricha
25/2/2026
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Foto:
Andrade Lino

De acordo com Óscar Silva, a produção florestal anual em Angola é estimada entre 300 mil e 400 mil metros cúbicos, volume considerado abaixo das potencialidades científicas de exploração sustentável.

O garimpo representa entre 30% e 40% da actividade ilegal no sector florestal, afirmou Óscar Silva, vice-presidente da Associação Nacional dos Industriais e Madeireiros de Angola (ANIMA). 

As declarações foram prestadas durante a VIII Conferência E&M sobre Agricultura, realizada sob o tema “Indústria de Fertilizantes e Insumos. Segurança Alimentar e Concessões Florestais: Estratégias para o fomento da produção nacional”.

Segundo o responsável, o sector enfrenta dificuldades de controlo semelhantes às registadas nos diamantes e no ouro, devido à actuação de operadores que escapam à fiscalização do Estado e das associações. 

Explicou que, apesar da luta contínua levada a cabo pelo ministério de tutela, o combate à actividade ilegal se revela complexo, sublinhando que as concessões florestais surgem, neste contexto, como um instrumento de organização e responsabilização, ao obrigarem os concessionários ao cumprimento rigoroso de regras de gestão sustentável.

Óscar Silva defendeu que a exploração florestal legal, quando feita com critérios de sustentabilidade, é a que menos impacta negativamente a floresta. Em contraposição, apontou a agricultura extensiva e itinerante como uma das principais responsáveis pelo derrube florestal, sobretudo na região norte tropical. 

A produção descontrolada de carvão vegetal é igualmente identificada como um factor de forte pressão sobre os recursos florestais, impondo a necessidade de maior regulação e aposta no carvão ecológico certificado.

O também empresário da indústria florestal referiu ainda que o mercado informal continua a se abastecer, em grande medida, de madeira proveniente do norte do País. No Mercado do Kicolo, considerado o maior mercado receptor de madeira em Luanda, entra, segundo o empresário, diariamente produto cuja origem é, muitas vezes, difícil de rastrear. 

De acordo com o empresário, a produção florestal anual em Angola é estimada entre 300 mil e 400 mil metros cúbicos, volume considerado abaixo das potencialidades científicas de exploração sustentável. 

Multiplicado por um valor médio de referência, como referiu, este volume representa centenas de milhões de dólares em circulação no mercado interno, sem contabilizar exportações. 

Para reforçar a credibilidade do sector, sublinhou que os contratos de concessão já existentes devem ser publicados em Diário da República, passo considerado essencial para garantir maior segurança jurídica e facilitar o acesso ao financiamento bancário.