África é uma região endémica em golpes de Estado. A instabilidade política provocada pela tomada do poder à força tem tido significativo impacto nas receitas fiscais dos estados afectados. Um estudo do BAD revela o custo destas manobras militares no continente: os Estados assolados registam um recuo de 1,3% do PIB no ano de desencadeamento deste fenómeno.
A pesquisa do Banco Africano de Desenvolvimento, a que a Economia & Mercado teve acesso através da imprensa marroquina, assinala que, em média, os países que passam por golpes de Estado observam perdas de receitas fiscais de bens e serviços que só são recuperadas quatro anos após os golpes.
O relatório realça ainda que o Produto Interno Bruto (PIB) do país afectado recua 1,2%, 0,8% e 0,4% nos três anos seguintes. Ou seja, sublinha o BAD, estes Estados precisam de, no mínimo, quatro anos para se ‘recomporem’ dos estragos do fenómeno para a arrecadação de receitas tributárias não ligadas aos recursos naturais.
“Observamos que os efeitos negativos dos golpes de Estado se aplicam, principalmente, a tipos de impostos que exigem uma capacidade fiscal relativamente elevada para arrecadar, como o imposto sobre as sociedades ou o imposto sobre bens e serviços”, indica o estudo.
Segundo o relatório, as consequências da acção são múltiplas. A agitação política, a insegurança e a violência desencorajam a actividade económica das empresas e das famílias, reduzindo automaticamente as receitas fiscais.
A incerteza fiscal, observa ainda a pesquisa, cria, também, um clima desfavorável aos investimentos. Finalmente, a perda de legitimidade dos novos regimes enfraquece a sua capacidade de cobrar impostos, acrescenta o BAD.
Quando os militares tomam o poder pela força, são os contribuintes que suportam o peso da erosão dos cofres públicos, alerta a pesquisa do Banco Africano de Desenvolvimento.
Nos países estudados, os défices fiscais tiveram de ser parcialmente compensados pela ajuda internacional, mesmo que esta geralmente diminua após um golpe de Estado.
Sob o título ‘Golpes e Receitas Fiscais em África’, o relatório do BAD aponta para nove países africanos que se destacam por terem sofrido os maiores declínios nas receitas fiscais de bens e serviços após golpes de Estado.
Fazem parte deste grupo Burquina Faso, Sudão, Nigéria, Benin, Burundi, Gana, Serra Leoa, Mauritânia e Mali. Trata-se de uma lista compilada com base no elevado número de golpes de Estado efectivamente concluídos nestes países desde 1950.

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