Executivo angolano não tem dúvidas do potencial do País em atrair o turismo marítimo e melhorar a contribuição do sector para o PIB, pelo que acaba de aprovar as Medidas para o Desenvolvimento do Turismo Marítimo Turismo de Cruzeiros 2025-2027, um programa que implica investimento total de 5,3 mil milhões de Kwanzas (cerca de 6,2 milhões de dólares), apurou a revista Economia & Mercado.
Com a implementação do projecto, lê-se no Decreto Presidencial n.º 26/26, de 02 de Fevereiro, as autoridades angolanas prevêem, até 2027, que a contribuição do sector do turismo para o Produto Interno Bruto (PIB) seja na ordem de 1,3%, através da captação de 2,5 milhões de dormidas de turistas domésticos e 0,16 milhões de dormidas de turistas internacionais anualmente.
De acordo com o documento assinado por João Lourenço, dos 5,34 mil milhões Kz que serão canalizados ao programa, 25% dos quais (1,3 mil milhões) dizem respeito às acções de promoção (vídeos, panfletos, brochuras, cartilhas e outros), e 4 mil milhões serão destinados à participação nos eventos (construção do stand e toda a operação de logística).
“Estima-se que Angola, entre 2025 e 2027, receba cerca de 166.950 visitantes e arrecade entre taxas que os navios devem pagar por atracar e os gastos dos visitantes com as excursões ou outros serviços prestados cerca de 50,40 milhões de dólares, com a chegada 72 navios de cruzeiros ao longo de três temporadas, e gerar cerca de 6.955 empregos temporários, um aumento de 798,5% em relação ao período de 2022 a 2025”, lê-se no diploma.
Estima-se que Angola, entre 2025 e 2027, receba cerca de 166.950 visitantes e arrecade entre taxas que os navios devem pagar por atracar e os gastos dos visitantes com as excursões ou outros serviços prestados cerca de 50,40 milhões de dólares
O documento admite, entretanto, que a chegada de navios de cruzeiros nas condições actuais dos portos angolanos não deve, em princípio, exceder a capacidade de 3.000 passageiros por navio, por não existir um terminal específico para navios de cruzeiros no País, daí a necessidade de uma maior aposta na construção de infra-estruturas.
“Angola apresenta-se como destino turístico emergente no segmento do Turismo de Cruzeiros, pelo que urge melhorar as infra-estruturas turísticas e, assim, definir as Medidas para o Desenvolvimento do Turismo Marítimo, tendo em conta os potenciais impactos que este segmento de turismo apresenta”, realça o Decreto Presidencial, que lembra que, nos últimos 13 anos, Angola tem recebido, de forma ininterrupta, navios de cruzeiro.
Angola apresenta-se como destino turístico emergente no segmento do Turismo de Cruzeiros, pelo que urge melhorar as infra-estruturas turísticas
De 2013 a 2020, elucida o diploma, o País recebeu 35 navios de cruzeiro com capacidade entre 104 e 1.138 passageiros, transportando 13.331 visitantes de diferentes nacionalidades, uma média de cinco navios/ano. E no período de 2022 a 2025, Angola recebeu um total de 25 navios de cruzeiro com capacidade entre 104 e 2.064 passageiros, transportando um total de 20.908 visitantes de diferentes nacionalidades, uma média igualmente de cinco navios/ano.
“Em termos comparativos, no período 2017-2020, o País recebeu 3.030 visitantes, enquanto no período 2022-2025, recebeu 20.908 visitantes, perfazendo um crescimento de 590%. O crescimento observado reflecte o interesse das companhias de cruzeiros em proporcionar experiências inovadoras aos turistas na exploração de novos destinos”, assina o documento.

Posicionar Angola como um destino de “excelência, competitivo e sustentável”
Por outro lado, observa o diploma assinado pelo Titular do Poder Executivo, é “essencial formar” os principais entes públicos e privados ligados à cadela de acolhimento dos visitantes e “melhorar as condições de mobilidade” nos Portos de Luanda; Lobito, na província de Benguela, e do Namibe.
As Medidas para o Desenvolvimento do Turismo Marítimo Turismo de Cruzeiros 2025-2027 definem, assim, como objectivos gerais posicionar Angola como um destino de “excelência, competitivo e sustentável” no mercado internacional de cruzeiros, através da modernização dos portos, da valorização da oferta turística e da integração do País nas rotas atlânticas de navios de cruzeiros, promovendo a criação de emprego e a valorização do património natural e cultural nacional.
Nas linhas que justificam a aprovação do plano, João Lourenço afirma que o turismo marítimo, em especial o feito em navios de cruzeiro, constitui um sector estratégico para o desenvolvimento económico e social do País, com elevado potencial para atrair visitantes, investimentos, gerar receitas, criar empregos e promover a valorização do património cultural e natural de Angola.

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