Vera Daves, que discursava na abertura da 17ª edição do "Banca em Análise", organizado pela consultora Deloitte Angola, mencionou (como exemplo) três mercados onde a taxa é superior a de Angola.
“Na África do Sul (acima de 90%); em Portugal (na ordem dos 80%) e na Nigéria (onde vigora a imposição legal de o rácio de transformação ser no mínimo de 65%), disse a ministra Vera Daves, alegando que o estudo da Deloitte propõe uma análise ajustado com a componente de aquisição de títulos de dívida pública.
A reacção da auxiliar do Titular do Poder Executivo para a pasta das Finanças deriva do facto de o rácio de transformação de depósito em crédito do sector no ano passado ter se fixado em 27,4%, mais 3,8 pontos percentuais em relação a 2021, cuja taxa foi de 23,6%.
Ao longo do discurso de abertura, Vera Daves de Sousa indicou o caminho para que as empresas privadas consigam crédito da banca.
“Para poderem ter acesso ao crédito bancário, as empresas devem dotar-se de capital próprio, ter rácios de autonomia financeira adequados, aperfeiçoar a informação contabilística e de gestão”.
As empresas, avançou a ministra, também devem tornar transparentes os balanços e submeter aos bancos planos de negócios credíveis e compatíveis com o crivo necessário da avaliação do risco.
Banca em Análise 2022
De acordo com as demonstrações financeiras dos bancos analisados pela Deloitte Angola, em 2022 o total dos resultados líquidos era de 366,6 mil milhões de Kwanzas, o que representa uma redução de quase 13,6%, face a 2021.
“Esta redução é maioritariamente justificada pela reversão de imparidades ocorrida em 2021 decorrente da melhoria do rating de Angola, cujo valor global de reversão dos bancos alvo de análise ascendeu a pelo menos 375,6 mil milhões Kz”.
O rácio de crédito vencido ascendeu a 20%, sendo que em 2021 foi de aproximadamente 29,8%, o que reflecte uma descida no ano transacto, fruto da melhoria do ambiente macroeconómico nacional e do saneamento da carteira de crédito do Banco de Poupança e Crédito (BPC).
“Caso não fosse considerado o BPC neste rácio, observar-se-ia um rácio de crédito vencido de 21,3% e de 18,0% em 2021 e 2022, respectivamente”, afirma a Deloitte na 17ª edição do Banca em Análise.

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