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Ministra das finanças reconhece fraco apoio da banca à economia

Fernando Baxi
19/7/2023
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Foto:
DR

O rácio de transformação de depósitos em crédito no sistema bancário nacional está aquém do que se verifica nos mercados internacionais, afirmou a ministra das Finanças, Vera Daves de Sousa.

Vera Daves, que discursava na abertura da 17ª edição do "Banca em Análise", organizado pela consultora Deloitte Angola, mencionou (como exemplo) três mercados onde a taxa é superior a de Angola.

“Na África do Sul (acima de 90%); em Portugal (na ordem dos 80%) e na Nigéria (onde vigora a imposição legal de o rácio de transformação ser no mínimo de 65%), disse a ministra Vera Daves, alegando que o estudo da Deloitte propõe uma análise ajustado com a componente de aquisição de títulos de dívida pública.

A reacção da auxiliar do Titular do Poder Executivo para a pasta das Finanças deriva do facto de o rácio de transformação de depósito em crédito do sector no ano passado ter se fixado em 27,4%, mais 3,8 pontos percentuais em relação a 2021, cuja taxa foi de 23,6%.

Ao longo do discurso de abertura, Vera Daves de Sousa indicou o caminho para que as empresas privadas consigam crédito da banca.  

“Para poderem ter acesso ao crédito bancário, as empresas devem dotar-se de capital próprio, ter rácios de autonomia financeira adequados, aperfeiçoar a informação contabilística e de gestão”.      

As empresas, avançou a ministra, também devem tornar transparentes os balanços e submeter aos bancos planos de negócios credíveis e compatíveis com o crivo necessário da avaliação do risco.

Banca em Análise 2022

De acordo com as demonstrações financeiras dos bancos analisados pela Deloitte Angola, em 2022 o total dos resultados líquidos era de 366,6 mil milhões de Kwanzas, o que representa uma redução de quase 13,6%, face a 2021.    

“Esta redução é maioritariamente justificada pela reversão de imparidades ocorrida em 2021 decorrente da melhoria do rating de Angola, cujo valor global de reversão dos bancos alvo de análise ascendeu a pelo menos 375,6 mil milhões Kz”.

O rácio de crédito vencido ascendeu a 20%, sendo que em 2021 foi de aproximadamente 29,8%, o que reflecte uma descida no ano transacto, fruto da melhoria do ambiente macroeconómico nacional e do saneamento da carteira de crédito do Banco de Poupança e Crédito (BPC).    

“Caso não fosse considerado o BPC neste rácio, observar-se-ia um rácio de crédito vencido de 21,3% e de 18,0% em 2021 e 2022, respectivamente”, afirma a Deloitte na 17ª edição do Banca em Análise.