“Não é, do ponto de vista estratégico, também do interesse do dono da Sonangol [estado angolano] manter a Sonangol nesta sociedade e este era o momento oportuno [para sair]. Por outro lado, a Sonangol também teria que ir buscar 600 milhões de dólares de empréstimo. Portanto, esses factores obrigaram-nos a olhar para outras soluções”, explicou o ministro angolano dos Recursos Minerais Petróleo e Gás em declarações à Rádio Nacional de Angola (RNA).
Citado pela Lusa, Diamantino de Azevedo disse também que a operação configura uma “troca de activos”, sem recurso ao “envolvimento de dinheiro”.
Já o director de Comunicação, Marketing e Responsabilidade da Sonangol, Dionísio Rocha Júnior, em declarações reproduzidas pela RNA, disse que “foi uma transação sem fluxo financeiro, com base em avaliações externas realizadas por empresas independentes”.
Segundo o ministro angolano dos Recursos Minerais Petróleo e Gás, “o que houve foi uma troca de activos. A Trafigura ficou com as ações da Sonangol na Puma Energy e a Sonangol ficou com esses activos [da Puma Energy] em Angola. Eu creio que, do ponto de vista estratégico, foi um bom negócio. Senão a Sonangol teria que ir ao mercado buscar 600 milhões para continuar a manter [a sua participação em] as suas ações na empresa, ou veria [a sua participação] as suas ações diluídas para 12% [do capital da Puma Energy]. Esta é a explicação. Portanto, na realidade não houve cash, não houve envolvimento de dinheiro”.
A Sonangol anunciou na passada sexta-feira a cedência dos direitos que detinha sobre 31,78% do capital da Puma Energy à Trafigura - o maior acionista da Puma Energy – avaliados em 600 milhões de dólares (498 milhões de euros).
Em contrapartida, o negócio “tripartido” resulta na passagem para o controlo da Sonangol de alguns dos mais importantes ativos estratégicos da Puma Energy em Angola, que incluem a rede de retalho da Pumangol, composta por 79 postos de abastecimento de combustíveis, terminais aeroportuários em Luanda, Catumbela, Cunene e Lubango, o Terminal de Armazenamento do Porto Pesqueiro, na Baía de Luanda, e a empresa Angobetumes.
A Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (Sonangol) informou, através de um comunicado, divulgado na sexta-feira passada, que “os acordos assinados estão alinhados ao objectivo estratégico inserido no Programa de Privatizações, com resultados evidentes na otimização do portefólio de ativos da Sonangol, elementos-chave para o propósito de se focar no seu negócio principal”.
A Puma Energy começou por comunicar no início de Março a intenção de emitir novas ações no valor de 1,1 mil milhões de dólares (910 milhões de euros) para recapitalizar a empresa, e tornar o seu principal acionista, a Trafigura, num proprietário ainda maior, enquanto o Estado angolano iria diminuir a sua participação.
Angola detinha até agora a segunda maior participação na Puma Energy, 31,78% do seu capital, através da sua companhia petrolífera estatal Sonangol.
A Trafigura aumentou a sua participação na Puma para 55% no ano passado, depois de ter adquirido a maior parte da participação da Cochan Holdings na empresa. A Cochan, propriedade de um antigo general angolano, detém atualmente 5% da Puma Energy.

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