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Moçambique coloca economia azul no centro da industrialização e geração de empregos

Hermenegildo Langa
12/6/2026
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Foto:
DR

O objectivo passa por converter o potencial existente na costa moçambicana em benefícios concretos para a população.

O Governo moçambicano pretende utilizar o potencial existente na economia azul, e aproveitando a sua localização estratégica e extensa costa marítima de mais de 2700 quilómetros para desenvolver a industrialização e geração de empregos para os jovens.

A informação foi avançada, esta quinta-feira, pelo Presidente da República, Daniel Chapo, na abertura da  3.ª Conferência Internacional Crescendo Azul, onde defendeu que a abundância de recursos marinhos na costa moçambicana podem impulsionar a transformação económica, a criação de emprego e a integração regional.

“Queremos uma economia azul que crie emprego para a nossa juventude, promova a industrialização, desenvolva cadeias de valor nacionais, fortaleça as comunidades costeiras e contribua para a redução das desigualdades”, afirmou Chapo.

Para o Executivo moçambicano, os oceanos assumem uma importância crescente num contexto marcado por profundas transformações geopolíticas, pela reconfiguração das cadeias globais de abastecimento e pela procura de segurança alimentar e energética. Contudo, “o desafio actual consiste em determinar com que rapidez seremos capazes de converter o potencial dos oceanos em benefícios concretos para os nossos povos”.

Falando num evento que decorre sob o lema “Futuro Azul: Acelerando a Sustentabilidade Económica”, o estadista moçambicano recordou que o país ocupa uma posição privilegiada no Canal de Moçambique, que é por sinal, uma das mais importantes rotas marítimas do comércio internacional, conferindo-lhe responsabilidades acrescidas, mas também oportunidades únicas para reforçar o seu papel na economia global.

“Por estas águas circulam mercadorias, energia, investimentos e oportunidades que influenciam a economia internacional. A biodiversidade marinha do país constitui um activo estratégico nacional, regional e internacional, capaz de sustentar o turismo azul, fortalecer os serviços ecossistêmicos e contribuir para a segurança alimentar”, sublinhou Daniel.

Neste contexto, o Presidente moçambicano anunciou o reforço das medidas de gestão sustentável dos recursos marítimos, incluindo a implementação do Plano de Ordenamento do Espaço Marítimo, instrumento que deverá orientar a utilização racional do mar e criar maior previsibilidade para os investidores.

“A economia azul não deve ser encarada apenas como um conjunto de investimentos ou infra-estruturas, mas sobretudo como uma oportunidade de melhorar a vida das comunidades que dependem directamente do mar”, assinalou, apelando à mobilização de mais recursos para projectos ligados à economia do mar.

Por sua vez, o presidente da Comissão da União Africana, Mahmoud Ali Youssouf, destacou a posição estratégica de Moçambique no Oceano Índico e o seu papel fundamental como corredor logístico para os países do interior do continente.

“Moçambique reúne condições privilegiadas para liderar o desenvolvimento da Economia Azul em África, transformando os seus recursos marinhos em oportunidades de desenvolvimento sustentável”, enfatizou Ali Youssouf.