Moçambique colocou esta semana 609 milhões de meticais (pelo menos 8,6 milhões de dólares) numa emissão interna de Obrigações do Tesouro com maturidade de cinco anos, informou a Bolsa de Valores do país.
Citado pela Lusa, a Bolsa de Valores de Moçambique (BVM) diz que a operação decorreu nesta terça-feira, 24 de Setembro, e contou com propostas apresentadas pelos operadores especializados em Obrigações do Tesouro, tendo a relação entre procura e oferta sido de 22,51%. No total, foram registadas propostas no valor de 1,2 milhões de meticais.
Explica, além disso, que esta emissão corresponde à 10.ª série de Obrigações do Tesouro de 2024, destinada à subscrição directa por operadores especializados, com um limite autorizado de até 5,3 milhões de meticais. “A taxa de juro nominal é fixa em 15% para os primeiros quatro pagamentos semestrais de juros é variável para os últimos seis pagamentos”, acrescenta.
Segundo dados anteriores do banco central, como descreve o Diário Económico (DE), a dívida pública interna de Moçambique atingiu 364,2 milhões de meticais, com um aumento equivalente a 47,8 mil milhões de meticais entre Dezembro de 2023 e Maio de 2024.
O relatório de Conjuntura Económica e Perspectivas de Inflação de Maio detalha que a dívida interna contratada durante este período, excluindo outros contratos e responsabilidades em mora, aumentou em 51,9 milhões de meticais, representando 23,7% do Produto Interno Bruto (PIB).
A dívida interna total inclui 99,8 milhões de meticais em Bilhetes do Tesouro e 169 milhões de meticais em Obrigações do Tesouro, além de 95,3 milhões de meticais em adiantamentos do Banco de Moçambique, de acordo com o DE.
Aliás, o Ministério da Economia e Finanças de Moçambique já havia alertado para o rápido crescimento da dívida interna, prevendo que, se o ritmo mantiver, poderá alcançar um equilíbrio de 50% entre dívida interna e externa até 2029, um cenário que comprometeria as possibilidades de reversão da sua insustentabilidade.
Na notícia publicada esta quinta-feira, 26, o DE explica que as taxas de juro dos Bilhetes do Tesouro e Obrigações do Tesouro têm aumentado, elevando o custo do financiamento interno.
“A taxa média ponderada dos empréstimos do Governo subiu de 5% em 2021 para 6,5% em 2023, acumulando um aumento de 150 pontos base em dois anos, segundo o mesmo relatório”, acrescenta o DE, lembrando que até 31 de Dezembro de 2023, a dívida interna acumulada atingiu 285 mil milhões de meticais, sendo que as emissões de Bilhetes do Tesouro representaram 9% do stock total da dívida interna em 2023, enquanto as Obrigações do Tesouro duplicaram o seu peso para 16% no mesmo período.

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