A Forest Stewardship Council (FSC), organização não-governamental internacional que promove a gestão florestal responsável em todo o mundo, estima que Moçambique perde anualmente cerca de 500 milhões de dólares norte-americanos devido a práticas insustentáveis no sector florestal, nomeadamente a exploração madeireira ilegal e a agricultura de corte e queima.
De acordo com o FSC, o sector florestal sustenta milhões de moçambicanos nas zonas rurais, através da produção de madeira, carvão vegetal, geração de emprego e outras actividades ligadas aos recursos florestais.
“No entanto, práticas insustentáveis, como a exploração madeireira ilegal e a agricultura de corte e queima, conduziram à degradação de quase 60% dos recursos florestais, com uma taxa anual de perda florestal de 0,58%, o que custa à economia cerca de 500 milhões de dólares por ano”, lê-se num comunicado recebido pelo Diário Económico (DE).
A organização reconhece os esforços do Governo de Moçambique no combate à exploração ilegal de madeira e no cumprimento de metas climáticas e de sustentabilidade, mas alerta que o abate ilegal de árvores continua a representar um desafio significativo.
Como escreve o Diário Económico, entre 2017 e 2020 cerca de 2,6 milhões de toneladas de toras, avaliadas em aproximadamente 900 milhões de dólares, foram exportadas ilegalmente, em violação da proibição de exportação de toras estabelecida pelo Governo moçambicano.
“O Executivo intensificou os esforços de fiscalização, incluindo a cooperação internacional com o Serviço Florestal dos Estados Unidos da América (EUA), e melhorou os sistemas de monitorização. No entanto, os recursos limitados continuam a ser um obstáculo à aplicação eficaz da lei”, acrescenta o FSC.
Com vista ao reforço da gestão florestal, o FSC anunciou a publicação de uma nova Norma Provisória de Gestão Florestal (IFSS, em inglês), que oferece aos operadores florestais um sistema credível para demonstrar sustentabilidade, aumentar a transparência e aceder a mercados de maior valor.
A organização sublinha que o IFSS foi desenvolvido de forma transparente e inclusiva, através de consultas públicas, visitas de campo a províncias como Sofala e Manica, reuniões comunitárias, entrevistas e contributos de mais de 160 partes interessadas, incluindo líderes comunitários, instituições governamentais, organizações não-governamentais e empresas.

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