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Moçambique: Seguros caíram 4% com uma produção de 167,5 mil milhões de meticais no primeiro semestre

Hermenegildo Langa
17/12/2025
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Foto:
DR

A queda é o reflexo da redução do volume de negócios nos ramos vida e não vida em 18% e 6%, respectivamente.

O sector segurador gerou, de Janeiro a Junho deste ano, receitas na ordem dos 10,80 mil milhões de meticais (167,5 milhões de dólares), representando uma queda de 4% face a igual período do ano anterior. Os dados constam do Relatório de Estabilidade Financeira (REF) do Banco de Moçambique (BdM) consultado pela revista Economia & Mercado (E&M).

Segundo o documento, esta retracção é reflexo da redução do volume de negócios nos ramos vida e não vida em 18% e 6%, respectivamente.

“A redução do volume de negócios das seguradoras foi fortemente determinada pela expressiva redução das subscrições de serviços de seguros em quase todas as componentes dos ramos não vida, com a excepção do seguro aéreo e de transporte de mercadorias”, refere o documento, assinalando que Moçambique conta actualmente com 20 companhias seguradoras em actividade.

Durante o período em análise, o crédito segurado, segundo o banco central, representou 32,22% da carteira total de crédito do sector bancário, correspondente a 92,83 mil milhões de meticais (1,4 mil milhões de dólares), dos quais 27,64% são detidos pelos bancos domésticos de importância sistémica (D-SIBs). Por outro, os créditos contraídos pelas empresas do sector de seguros representaram, em Junho de 2025, um valor de 0,16% da carteira total de crédito do sector bancário.

Em termos do papel comercial na capitalização bolsista, o relatório denota que houve no semestre em apreço, uma ausência deste, - “que seria outro instrumento preferencial para as seguradoras, devido à sua natureza de instrumento mais líquido ou de curtíssimo prazo (menor que um ano) – induz a um aumento da proporção das aplicações do sector de seguros em Obrigações do Tesouro (OT)”.

Entretanto, a queda no sector foi também verificada na componente do papel comercial no Mercado de Valores Mobiliários (MVM), tendo se fixado em 0,85%, contra 1,61% em Dezembro de 2024.

Em relação ao peso das aplicações do sector de seguros no MVM, à semelhança do apetite ao risco soberano evidenciado pelo sector bancário, “os investimentos do sector de seguros, no MVM, estão maioritariamente concentrados nas OT, que representam 66,01% (contra 26,75% em Dezembro de 2024), em detrimento dos outros títulos disponíveis no mercado de capitais, ficando, desta forma, igualmente expostos ao risco soberano”.

Com efeito, o sector de fundos de pensões detém 36,52% (30,47% em Dezembro de 2024) do valor das aplicações no MVM, seguido do sector bancário com 27,88% (27,45% em Dezembro de 2024) e do sector de seguros com 1,48% (0,77% em Dezembro de 2024). Os restantes 34,13% (41,31% em Dezembro de 2024) estão na posse de diferentes investidores de outra natureza.

“A dinâmica observada no MVM no período em análise resulta da redução da capitalização bolsista no segmento de OT em 0,83% (1,45 mil milhões de meticais), atenuada pelo aumento da capitalização bolsista nos segmentos de obrigações corporativas em 11,29% (0,7 mil milhões de meticais) e acções em 0,9% (0,17 mil milhões de meticais)”, conclui o BdM.