Natural da Lunda Norte, comuna Nzaji, nascido a 3 de Dezembro de 1958, Nuno Fernandes, jornalista de profissão, empresário de carreira e Presidente do Conselho Executivo do Grupo Executive, combina duas experiências únicas para analisar os caminhos da democracia angolana.
À conversa com Sebastião Vemba, nas Conversas E&M, Nuno Fernandes, que é também ex-Presidente da Associação Angolana de Empresas de Publicidade e Marketing (AAEPM), parte de uma premissa pessoal para reflectir sobre o sistema. "Fazer jornalismo, não sinto grande diferença entre o hoje e o ontem". No entanto, é ao analisar a relação entre imprensa, poder e sociedade que o seu diagnóstico sobre a maturidade democrática se revela.
Para o veterano com passagens pela Rádio Nacional de Angola, Revista Novembro e Angop, a liberdade de imprensa é um termómetro crítico. Defende um jornalismo de escrutínio firme, mas assente na ética. "É possível falar das coisas", garante, sublinhando a necessidade de "respeito" e de "factos verificados", em contraponto ao "ataque pessoal". Apela, por um lado, à profissão para que exerça o contraditório com rigor e, por outro, ao poder para que compreenda que "a sua actividade deve ser escrutinada".
Esse escrutínio, argumenta, "não deve ser entendido como uma ameaça ao poder instituído, mas pode ser, inclusivamente, um grande aliado". Esta visão de uma imprensa como aliada, e não adversária.
O PCE do Grupo Executive situa as tensões actuais num contexto mais longo. "Nós não nascemos de um poder democrático. Nós nascemos de uma revolução instituída (…) temos uma escola que vem de trás". Nesta perspectiva, a plena assimilação do papel do jornalismo pela classe política e pela própria sociedade é um processo contínuo, ainda em evolução desde os tempos da "democracia revolucionária popular".
O obstáculo da formação e a agenda que persiste
Além da cultura política, Nuno Fernandes identifica um desafio estrutural à qualidade da democracia, a formação. "O problema não está nos meios. (…) O que nos pode impedir de fazer um jornalismo melhor é a própria formação pessoal do jornalista", afirma, traçando um declínio na qualidade do sistema educativo público "de 1992 para a frente". Sem uma base educativa sólida, argumenta, até os melhores meios tecnológicos são insuficientes para um escrutínio profundo e informado.
Esta fragilidade reflecte-se na agenda nacional, que ele vê como cíclica e repetitiva. Das páginas da Economia & Mercado, revista detida pela Edicenter, observa, "O que nós sentimos é que muitas vezes estamos a falar sobre o mesmo. Porque não se altera". Problemas como a educação, a saúde e a fome persistem, sinalizando, na sua opinião, um fosso entre o discurso oficial e as transformações práticas na vida dos cidadãos. Para Nuno Fernandes, esta persistência é um indicador claro dos desafios que a democracia angolana ainda tem de superar para gerar respostas efectivas e duradouras.
Na entrevista concedida ao espaço "Conversas E&M", que pode ser vista na íntegra aqui ou revisitada na plataforma da revista, Nuno Fernandes traça um diagnóstico profundo e urgente para o sector publicitário angolano. O empresário e ex-presidente da AAEPM expõe os números de um colapso histórico uma queda de 95% no valor do mercado entre 2013 e 2021 e aponta factores estruturais que o agravam, como a prática de o Estado "comunicar de borla" e a pressão por descontos abusivos.

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