O Head of Digital Assets da PwC, João Matos Cruz, apresentou, na IV edição da “Angola Banking Conference”, em Luanda, a Infra-estrutura de Liquidação Programável, tecnologia que poderá ajudar os bancos africanos a reduzir os custos inerentes às transferências monetárias internacionais.
A infra-estrutura tecnológica foi pensada para África, como se pôde depreender das declarações de João Matos Cruz, porque os bancos africanos perdem (colectivamente) 5 mil milhões USD por ano em taxas de transferência internacional e em comissões de bancos correspondentes.
“Angola está dentro desse número”, reforçou o Head of Digital Assets da PwC que foi um dos três prelectores da conferência realizada no dia 22 de Maio de 2026, numa co-organização da Economia & Mercado e da PwC.
A infra-estrutura, esclareceu, é uma camada de eficiência sobre os rails existentes (SWIFT, ACH e outros); opera sobre moeda fiduciária (Kwanza, USD e EUR); mais rápida e barata de mover dinheiro já autorizado; compatível com os sistemas de compliance e reporte do BNA.
Quanto à compatibilidade, prosseguiu João Matos Cruz, a Infra-estrutura de Liquidação Programável preserva integralmente os controlos AML/KYC (combate ao branqueamento de capitais) e travel rule. É auditável em tempo real; mais transparente para o regulador (BNA); não substitui o papel do banco central, como dos supervisores do sistema financeiro.
Ainda no âmbito da compatibilidade, o responsável pelo Activo Digital da PwC indicou o alinhamento com o BIS (Bank for International Settlements/Banco de Compensações Internacionais) e do Fundo Monetário Internacional (FMI) para DLT bancário.
“Estamos a falar de tecnologia que move o dinheiro e não de quem autoriza esse movimento. Essa autoridade continua, como sempre, no Banco Nacional de Angola (BNA)”, explicou o partner da consultora supracitada.
João Matos Cruz também abordou a questão do custo e tempo necessário para se efectuar uma transferência bancária internacional actualmente.
“Enviar dinheiro entre Angola e a Europa demora entre 2 a 5 dias úteis e custa entre 5% a 10% do valor. É um problema de infra-estrutura”, afirmou.


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