Os mercados internacionais de petróleo registaram uma ligeira correcção nesta segunda-feira, após os acontecimentos de sábado que culminaram na captura do Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, por forças dos Estados Unidos da América(EUA). A acção militar, de elevado impacto geopolítico, não provocou a volatilidade aguda que alguns temiam, reflectindo a percepção de que o peso venezuelano no abastecimento global.
A confirmação de que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e os seus aliados, liderados pela Arábia Saudita e pela Rússia, manterão os níveis de produção pelo menos até Abril, ajudou a estabilizar sentimentos.
O barril de Brent, referência para as exportações angolanas, recuou 0,67%, para 60,34 dólares. Já os contratos de Fevereiro do West Texas Intermediate (WTI), negociados nos EUA, cederam 0,77%, fixando-se nos 56,88 dólares.
A aliança, conhecida como OPEP+, realizou uma breve teleconferência neste Domingo, 4 de Janeiro, sem fazer qualquer referência aos acontecimentos na Venezuela, focando-se antes na manutenção da disciplina de grupo para evitar uma nova quebra nos preços.
A declaração do cartel, divulgada através do seu site sediado em Viena, surgiu após reunião dos ministros da Energia da Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Cazaquistão, Argélia e Omã.
Para além da reacção imediata do mercado, analistas apontam para outros factores em jogo. A promessa dos Estados Unidos de colocar as suas grandes petrolíferas a explorar e exportar crude venezuelano para clientes internacionais, se materializada, poderá, a médio prazo, inverter o declínio da produção do país, embora sob controlo externo.
"Qualquer disrupção no curto prazo da produção venezuelana pode ser facilmente compensada com aumento da produção por outros países", referiu o economista-chefe da Capital Economics, Neil Shearing, numa nota citada pela Bloomberg. "Esperamos um crescimento da oferta global este ano, empurrando os preços para cerca de 50 dólares por barril", acrescentou,
A Venezuela, apesar de deter as maiores reservas petrolíferas comprovadas do mundo, contribui com apenas cerca de 1% para o total de crude disponível no mercado, após anos de colapso na sua indústria.

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