O secretário de Estado para a Acção Climática e Desenvolvimento Sustentável, Nascimento Soares, apelou, nesta quarta-feira, 22, aos actores do segmento privado a explorar as oportunidades que os desafios da sustentabilidade proporcionam para elevarem os seus níveis de competitividade.
“O Sistema Financeiro Nacional deve integrar critérios ambientais e sociais nas suas políticas de crédito e de investimento. O sector privado, por sua vez, deve ver a sustentabilidade não como um custo, mas sim como uma oportunidade de inovação e competitividade”, disse o governante.
Ao intervir na V Conferência sobre Ambiente e Desenvolvimento, da iniciativa da revista E&M, informou que o Executivo tem reforçado o seu compromisso com a transição energética através de reformas estruturantes que criam bases para a implementação de um mercado nacional de carbono sustentado por mecanismos de mobilização, monitorização, reporte e verificação (MRV).
Para o governante, que discursava na conferência que decorre sob o lema ‘Carbono, Financiamento Verde e Justiça Climática: Estratégias para o Desenvolvimento Sustentável’, este processo permitirá valorizar os ecossistemas nacionais e mobilizar o financiamento climático para projectos de mitigação e adaptação, afirmando que “nenhuma transição será possível sem o financiamento adequado”.
“O financiamento verde é o motor que transforma os compromissos em resultados concretos. E é por isso, por meio dele, que podemos promover projectos de energias renováveis, fomentar a agricultura sustentável e melhorar a gestão dos resíduos e fortalecer, também, a resiliência das comunidades”, declarou.
Considerou que a cooperação internacional continua a ser, igualmente, decisiva, pelo que entende que os fundos multilaterais, as parcerias público-privadas e a transferência tecnológica devem ser reforçados com transparência e eficácia, de modo a assegurar uma justiça climática.
“As crises ambientais e climáticas têm consequências desiguais: os que menos poluem são os que frequentemente mais sofrem”, criticou, defendendo que a acção climática deve promover a equidade e a inclusão, e garantir que mulheres, jovens e comunidades locais participem e beneficiem das soluções de adaptação e mitigação.
A justiça climática, sublinhou Nascimento Soares, concretiza-se quando as políticas sociais, económicas e ambientais se alinham, quando o desenvolvimento respeita o território e as tradições e quando a educação ambiental se torna parte da formação cívica, envolvendo o Estado e os cidadãos na preservação dos recursos naturais.
“Precisamos de ampliar o diálogo entre o Estado e o sector privado e a sociedade civil. A sustentabilidade não se constrói de forma isolada; exige parcerias sólidas, confiança mútua e visão partilhada. Falar de carbono, financiamento verde e justiça climática é, portanto, falar da inovação económica, transformação social e, também, da soberania ambiental”, finalizou.

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