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Projecto agrícola ‘Terra Lunda’ entre Angola e Brasil prevê investimento de 83,2 milhões USD entre 2027 e 2030

Teresa Fukiady
14/8/2026
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Foto:
DR

Além do investimento na produção agrícola, a cooperação com o Brasil inclui a formação de investigadores nas áreas da agropecuária e das florestas.

Empresários brasileiros preveem investir 83,2 milhões USD no Projecto Terra Lunda, uma iniciativa agrícola a ser implementada no município do Lóvua, província da Lunda-Norte. O projecto prevê a exploração de 20 mil hectares para a produção industrial de grãos, com destaque para o milho e o feijão, em regime de rotação. A implementação deverá decorrer de forma faseada entre 2027 e 2030, com a incorporação de 5 mil hectares por ano.

A informação foi avançada pelo ministro da Agricultura e Florestas, Isaac dos Anjos, nesta quarta-feira, 12, durante o Fórum do Agronegócio Angola-Brasil.
Além do investimento na produção agrícola, a cooperação com o Brasil inclui a formação de investigadores nas áreas da agropecuária e das florestas com uma previsão de investimento de cerca de 1,94 milhões USD.

A aposta representa, segundo o ministro, uma mudança no perfil da cooperação entre os dois países. “Passamos de uma cooperação predominantemente técnica para uma cooperação orientada para o investimento produtivo, inovação, investigação científica e construção de cadeias de valor competitivas”, afirmou.

Angola e Brasil mantêm relações de cooperação no sector agrícola desde 1980. A parceria foi reforçada em 2025, com a assinatura de um protocolo de cooperação técnica nas áreas da agricultura e pecuária em que incluía a formação de técnicos angolanos em investigação científica e  inovação tecnológica. Avaliada em 1,95 milhões USD, a iniciativa prevê a formação de investigadores e técnicos angolanos.

De acordo com o governante, Angola tem interesse em atrair investidores comprometidos com uma agricultura moderna, competitiva, sustentável e inclusiva, capazes de produzir e transformar o país, contribuindo simultaneamente para o abastecimento do mercado interno e para a conquista de mercados regionais e internacionais.
Contudo, Isaac dos Anjos, sublinhou que a expansão dos grandes investimentos agrícolas deve ser acompanhada pela integração dos pequenos produtores e pela promoção das economias locais.

“Estas parcerias deverão igualmente respeitar e promover a integração dos pequenos produtores, assegurando a convivência harmoniosa entre a agricultura familiar e os grandes investimentos agrícolas, de modo a potenciar a inclusão produtiva e o desenvolvimento das economias locais e a mitigar a ocorrência de movimentos dos chamados sem terra”, afirmou.