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Reconstrução pós-cheias em Moçambique vai custar mais de 1,6 mil milhões de dólares

Hermenegildo Langa
25/3/2026
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Foto:
DR

O valor actual é mais que o dobro dos 644 milhões de dólares que as autoridades haviam avançado em Janeiro aquando da primeira vaga de inundações no país.

Moçambique necessita de cerca de 102,4 mil milhões de meticais, equivalente a 1,6 mil milhões de dólares para reconstruir as infra-estruturas destruídas pelas cheias e inundações que já mataram 298 pessoas desde Dezembro passado.

A informação foi avançada, esta terça-feira, pelo Governo moçambicano após mais uma sessão ordinária do Conselho de Ministros. Falando à imprensa, o porta-voz do Executivo moçambicano, Salim Valá, explicou que embora o país continue ainda em plena época chuvosa que iniciou em Outubro passado e que desta vez deverá terminar em meados de Abril próximo, o levantamento provisório dos danos (que inclui estradas e pontes) provocados pelas cheias e inundações apontam para mais de 1,6 milhões de dólares necessários para se avançar com o plano de reconstrução. O valor actual é mais que o dobro dos 644 milhões de dólares que as autoridades haviam avançado em Janeiro aquando da primeira vaga de inundações no país.

“Neste momento, temos a indicação de que em todo o país e de forma cumulativa desde o início da época chuvosa e ciclónica de Outubro a esta parte temos pouco mais de um milhão de pessoas afectadas e as previsões e estimativas que temos actualmente é que o plano de recuperação e reconstrução (…) rondará, não é nada definitivo, em cerca de 1,6 mil milhões de dólares”, disse Salim Valá.

Na ocasião,  o porta-voz do Governo avançou que a elaboração do plano está na fase conclusiva, destacando que é um instrumento dividido em cinco domínios, nomeadamente o salvamento de vidas e assistência humanitária e reposição da transitabilidade.

“Os outros domínios são a reposição das infra-estruturas, a recuperação económica e a criação de condições para garantir uma melhor capacidade de prevenção e mitigação dos desastres naturais no país”, assinalou.

O plano de recuperação e reconstrução, segundo o Governo, vai traduzir-se na decisão política de instituir uma nova orientação, em que a gestão do risco climático, a prevenção, a preparação e reconstrução resiliente das infra-estruturas são integradas de forma transversal no modelo de governação e desenvolvimento do país.

“O Governo quer com este plano, colocar a protecção da vida humana no centro da acção governamental, orientando a planificação, resposta e reconstrução para a salvaguarda das populações, promover um desenvolvimento territorial seguro assente numa planificação que integra mapas de risco e ordenamento territorial e adoptar a reconstrução resiliente, assegurando que infra-estruturas e assentamentos humanos sejam concebidos para resistir a eventos climáticos extremos”, acrescentou.

Aumento do número de vítimas

Moçambique está neste momento a enfrentar uma segunda vaga de cheias e inundações que são consideradas as piores da história do país. Dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres – INGD, indicam que o número de mortos na actual época das chuvas subiu para 298, com mais de um milhão de pessoas afectadas, desde Outubro.

De acordo com informação da base de dados do INGD actualizada até ao final de segunda-feira, contabilizam-se mais dois mortos em cerca de 24 horas, tendo sido afectadas 1 024 390 pessoas (mais 10 mil face ao balanço anterior) na presente época das chuvas, correspondente a 233 998 famílias, havendo também 17 desaparecidos e 351 feridos.

No total, 21 719 casas ficaram parcialmente destruídas, 10 236 totalmente destruídas e 206 379 inundadas. Ao todo, 304 unidades de saúde, 104 locais de culto e 724 escolas foram afectados em menos de seis meses.