Foi através de Fernanda Renée que Angola ‘acordou’ para percepção e, posteriormente, para a defesa de uma das mais importantes florestas: os mangais.
Há quase sete anos, a ambientalista começou a construir uma imagem e causa que, rapidamente, se mediatizaram no País e romperam fronteiras, ocupando importantes lugares nos mais decisivos corredores de defesa da biodiversidade no mundo.
Instituições como as Nações Unidas e a União Africana, em várias ocasiões, distinguiram-na com importantes troféus, como retorno das acções na orla marítima e zonas fluviais angolanas na defesa dos mangais, uma espécie florestal que habita nas zonas húmidas, conhecida como sequestradora de dióxido de carbono, habitat de espécies marinhas, fonte de subsistência de populações ribeirinhas e ilhéus e barreiras em casos de tsunamis e outras precipitações.
E, internamente, por conta das suas acções de reflorestação de mangais, João Lourenço nomeou-a, em 2021, a mais jovem Conselheira da República da história do País, com apenas 29 anos.
Em entrevista à Economia & Mercado, a mulher, fundadora da ONG Otchiva - Protecção e Restauração de Mangais, conta que ser membro do Conselho da República tem sido uma “experiência muito interessante”.
“No início, foi uma sensação estranha, porque nunca tinha estado muito próxima de tantos políticos, quase todos mais-velhos e alguns, até, com muito poder, como é o Presidente da República, que é o Mais Alto Mandatário da Nação”, confidencia.
Renée descreve-se como uma “mulher de campo”, cujos gabinetes estão instalados em praias: “Os meus colaboradores mais próximos são os pescadores, as mamães que vivem de apanha mabangas e os voluntários envolvidos nos programas de restauração e conservação dos mangais”.
Diz-se, por isso, estranha ao betão, e reitera que, nos primeiros meses de exercício da função de Conselheira da República, teve “algumas dificuldades de adaptação”, que, entretanto, se foram ultrapassando com o tempo.
“Fui-me habituando, fui-me familiarizando. Hoje, já não é assim tão estranho”, afirma a mulher formada em Engenharia de Petróleos, mas que defende um ambiente longe de poluição.
Entre as várias distinções na sua galeria, destacam-se, por exemplo, o troféu de Campeã das Zonas Húmidas/ONU, no quadro da Convenção de Ramsar, e o Prémio Nacional de Direitos Humanos.

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