Em Novembro, foi em Angola que a União Africana (UA) e a União Europeia (UE) reviram o estado da sua cooperação. No encontro de dois dias, África pediu “espírito de pragmatismo” na relação. Em resposta, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, lembrou, por exemplo, que a iniciativa ‘Global Gateway’ já mobilizou 120 mil milhões de euros para o continente, dos 150 mil milhões previstos até 2027.
Avançou que está a ser construída uma nova infra-estrutura no solo europeu para conectar África ao mercado global. “Enquanto conectamos África aos mercados globais, também apoiamos o tráfego dentro do continente”, referiu a dirigente, diante de uma tribuna que contou com presença de rostos como António Guterres, líder da ONU, António Costa, presidente do Conselho Europeu, e Emmanuel Macron, Presidente de França.
Numa das suas intervenções, João Lourenço, Presidente de Angola e líder da União Africana, observou ser útil que, em alguns aspectos, sobretudo os que dizem respeito às medidas para garantir a fixação dos jovens africanos nos seus países de origem, se promovam projectos que assegurem a empregabilidade desse segmento da população.
João Lourenço realçou que este programa deve alicerçar-se na garantia da formação profissional dos jovens africanos, para darem resposta à carência de quadros que há no continente, a fim de se habilitarem a integrar as equipas ligadas à execução dos projectos conjuntos, e, desta forma, responderem às necessidades em termos de mão-de-obra de empresas europeias e outras que investem no continente.
Sobre empreendedorismo, investimento e todas as iniciativas que possam fazer mover as economias dos dois continentes, o político africano considerou pertinente a “necessidade vital” de África no acesso ao financiamento com “custos comportáveis”, para aplicá-lo na execução de obras de alcance estratégico, destinadas a garantir a electrificação do continente, a industrialização, a mobilidade de pessoas, bens e serviços e conseguir-se, assim, edificar as bases que vão impulsionar o desenvolvimento do continente.
“Permitam-me fazer uma alusão à 4.ª Conferência Internacional sobre o Financiamento para o Desenvolvimento, (...) durante a qual os nossos parceiros europeus assumiram um posicionamento que aplaudimos, por se terem manifestado sensíveis ao apelo (...) ligado à urgência de se trabalhar no sentido de se conseguir uma reforma abrangente do sistema financeiro global, que inclua mecanismos mais justos de reestruturação da dívida, a expansão das alocações de direitos especiais de saque e instrumentos inovadores de financiamento que apoiem o esforço de desenvolvimento africano”, disse.
No seu discurso no primeiro dia da 7.ª Cimeira União Africana-União Europeia, a primeira que se realizou em solo angolano, João Lourenço observou que há uma “grande necessidade de uma nova visão” sobre a relação no plano financeiro entre África e as instituições creditícias internacionais, para que o continente possa investir no desenvolvimento sem a “asfixia provocada pelo endividamento insustentável” dos países africanos.
Mas, um mês antes, precisamente em Outubro, o solo angolano havia recebido a 3.ª Cimeira sobre Financiamento para o Desenvolvimento de Infra-estruturas em África. No ‘cair do pano’ do evento, na Declaração da Cimeira, os líderes africanos e os parceiros multilaterais anunciaram a mobilização de 18 mil milhões de dólares para projectos estratégicos de integração e crescimento sustentável no continente.
Validaram 38 projectos financiáveis, incluindo 13 prioritários no âmbito do Programa para o Desenvolvimento de Infra-estruturas em África (PIDA-PAP2), e recomendaram a elaboração de um roteiro de implementação e de um mecanismo de monitorização dos compromissos assumidos em Luanda, noticiou, na ocasião, o Jornal de Angola.
Como o foco na Rede Integrada Ferroviária Africana, Rede de Auto-Estradas Transafricanas, Mercado Único Africano de Electricidade (AfSEM) e no Mercado Único Africano de Transportes Aéreos (SAATM), a Declaração reiterou, assim, o apoio à abordagem dos Corredores Económicos Integrados como eixo central para a industrialização, comércio regional e a criação de cadeias de valor no quadro da Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA).
Entre as prioridades destacadas estão a Rede Integrada Ferroviária Africana, a Rede de Auto-Estradas Transafricanas, o Mercado Único Africano de Electricidade (AfSEM) e o desenvolvimento de um plano-director para a aviação africana, no âmbito do Mercado Único Africano de Transportes Aéreos (SAATM, na sigla em Inglês).
O SAATM, uma iniciativa lançada em 2018 e à qual perto de 40 Estados africanos já aderiram, foi um dos pontos que dominaram, no final de Novembro, as discussões à volta da 57.ª Assembleia-Geral da Associação das Companhias Aéreas Africanas (AFRAA), realizada em Luanda, com o propósito de as companhias aéreas africanas reforçarem a conectividade e a sustentabilidade do sector no continente.

Norte-americanos não largam Corredor do Lobito
Com a mudança, no início do ano, na Casa Branca, dúvidas se levantaram sobre a continuidade ou não da aposta americana no Corredor Lobito, um projecto que trouxe a Angola, no ano passado, Joe Biden, então Presidente dos EUA. Mas, rapidamente, a Administração Trump tratou de reafirmar o interesse num projecto que prevê ser um canal para transportação de minerais raros saídos de África.
O Corredor do Lobito foi, de resto, um tema inevitável na agenda da 17.ª Cimeira de Negócios Estados Unidos-África, decorrida em Junho deste ano em Luanda, durante a qual foi feita a promessa de mobilização de mais de 100 milhões de dólares em investimentos americanos no continente.
Este investimento deverá responder não apenas à aposta no Corredor do Lobito, como também em infra-estruturas e energia no continente, além de acordos energéticos e de inovação, com o intuito de proporcionar um desenvolvimento sustentável, transformação de recursos e criação de empregos qualificados em África.
Messi pisou solo angolano para jogo polémico
Numa agenda imposta pela celebração dos 50 anos da Independência Nacional, Angola viu aterrar, no dia 13 de Novembro, no ‘velho’ Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, em Luanda, aquele que, para muitos aficionados do futebol, é o maior jogador da modalidade da história: Lionel Messi.
O astro integrou a delegação da selecção argentina para a partida amigável com os Palancas Negras. O anúncio do jogo, feito por João Lourenço num encontro do seu partido, rapidamente converteu-se numa polémica, com segmentos da sociedade civil a lançarem uma campanha de boicote contra o duelo, alegando valores milionários gastos numa altura de degradação das condições sociais das famílias angolanas.
De acordo com notícias avançadas pela imprensa internacional, o jogo teria custado a Angola mais de 13 milhões de dólares, com um suposto cachê milionário individual para convencer Messi a vir a Luanda. Em reação à polémica, o ministro da Juventude e Desportos, Rui Falcão, garantiu, em entrevista à TV Zimbo, que as autoridades angolanas apenas se comprometeram com transporte e alojamento dos campeões mundiais.
Apesar dos protestos, os angolanos viram Messi & Companhia perfilarem no estádio 11 de Novembro, num jogo em que o astro argentino fez gosto ao pé ao apontar um dos golos com que a selecção alviceleste vergou, por 2-0, os Palancas Negras na maior infra-estrutura desportiva da história de Angola, apelidada em homenagem à Independência Nacional.

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