Com destaque para reflexão sobre o conhecimento enquanto património colectivo da humanidade, construído através de interacções entre geografias e povos distintos, a revista angolana Ngapa, lançada em 2024, chega ao público com uma edição que reafirma que “o conhecimento não é gerado de forma isolada e não é propriedade de ninguém”.
Para sustentar o tema de capa da 3.ª edição, a publicação, de periodicidade quadrimestral, junta vozes de Angola e do mundo para reivindicar o conhecimento, ciência e tecnologia enquanto instrumentos de emancipação e transformação (e não de controlo), como forma de construir um futuro mais justo onde todos têm lugar cativo.
“Com o mote “Akwa kuta sona” (mestres dos desenhos sona), a publicação confronta a percepção de que a ciência é uma criação exclusiva do Ocidente e defende a articulação entre o conhecimento global e os saberes locais e o seu potencial de ampliar a compreensão humana”, lê-se numa nota a que a E&M teve acesso.
No mais novo ‘número’ da revista, destaque ainda para o artigo ‘Gerdes e o despertar do pensamento matemático’, com o etno-matemático moçambicano Marcos Cherinda a aprofundar e evidenciar como a geometria Sona dos Cokwe, enquanto forma sofisticada de pensamento matemático, é capaz de dialogar com paradigmas universais.
Dentre os temas que mereceram tratamento editorial, a fotografia marca uma vez mais a Ngapa, agora com o ensaio “Corrente”, da brasileira Victoria Marques, e a fotorreportagem ‘Fantasmas’, de Hélio Buite, sobre a inutilidade do conhecimento face à inacção humana, realça o documento.
Neste registo de actualidade, acrescenta a nota, a reportagem ‘Falta dinheiro e vontade política para dinamizar a investigação científica feita em Angola’, dos jornalistas Joaquim José Reis e Manuel Camalata, explora as barreiras à investigação em Angola.
“Em contraponto, demonstrando que o conhecimento é um esforço colectivo, a bióloga angolana Soraya Marques partilha a cronologia da sua tese de mestrado, resultado de uma investigação colaborativa transnacional que revelou ao mundo da paleontologia uma nova espécie anterior aos dinossauros”, observa a nota.
A bióloga angolana Soraya Marques partilha a cronologia da sua tese de mestrado, resultado de uma investigação colaborativa transnacional que revelou ao mundo da paleontologia uma nova espécie anterior aos dinossauros
Lançada em Luanda em Julho de 2024 pela Kacimbo Editora, a NGAPA é uma revista quadrimestral que ambiciona reflectir os desejos do mundo contemporâneo através do jornalismo, ensaio, literatura e artes plásticas e performativas (design gráfico, ilustração, fotografia, música, cinema, dança, teatro, entre outras).

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