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Revista Ngapa propõe reflexão sobre conhecimento como património colectivo da humanidade

Redacção
13/2/2026
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Foto:
DR

Publicação busca explorar a cultura sob uma perspectiva ampla, com foco nas interacções entre indivíduos, no ambiente que os circunda e nas dinâmicas com as estruturas de poder.

Com destaque para reflexão sobre o conhecimento enquanto património colectivo da humanidade, construído através de interacções entre geografias e povos distintos, a revista angolana Ngapa, lançada em 2024, chega ao público com uma edição que reafirma que “o conhecimento não é gerado de forma isolada e não é propriedade de ninguém”.

Para sustentar o tema de capa da 3.ª edição, a publicação, de periodicidade quadrimestral, junta vozes de Angola e do mundo para reivindicar o conhecimento, ciência e tecnologia enquanto instrumentos de emancipação e transformação (e não de controlo), como forma de construir um futuro mais justo onde todos têm lugar cativo.

“Com o mote “Akwa kuta sona” (mestres dos desenhos sona), a publicação confronta a percepção de que a ciência é uma criação exclusiva do Ocidente e defende a articulação entre o conhecimento global e os saberes locais e o seu potencial de ampliar a compreensão humana”, lê-se numa nota a que a E&M teve acesso.

No mais novo ‘número’ da revista, destaque ainda para o artigo ‘Gerdes e o despertar do pensamento matemático’, com o etno-matemático moçambicano Marcos Cherinda a aprofundar e evidenciar como a geometria Sona dos Cokwe, enquanto forma sofisticada de pensamento matemático, é capaz de dialogar com paradigmas universais.

Dentre os temas que mereceram tratamento editorial, a fotografia marca uma vez mais a Ngapa, agora com o ensaio “Corrente”, da brasileira Victoria Marques, e a fotorreportagem ‘Fantasmas’, de Hélio Buite, sobre a inutilidade do conhecimento face à inacção humana, realça o documento.

Neste registo de actualidade, acrescenta a nota, a reportagem ‘Falta dinheiro e vontade política para dinamizar a investigação científica feita em Angola’, dos jornalistas Joaquim José Reis e Manuel Camalata, explora as barreiras à investigação em Angola.  

“Em contraponto, demonstrando que o conhecimento é um esforço colectivo, a bióloga angolana Soraya Marques partilha a cronologia da sua tese de mestrado, resultado de uma inves­tigação colaborativa transnacional que revelou ao mundo da paleontologia uma nova espécie anterior aos dinossauros”, observa a nota.

A bióloga angolana Soraya Marques partilha a cronologia da sua tese de mestrado, resultado de uma inves­tigação colaborativa transnacional que revelou ao mundo da paleontologia uma nova espécie anterior aos dinossauros

Lançada em Luanda em Julho de 2024 pela Kacimbo Editora, a NGAPA é uma revista quadrimestral que ambiciona reflectir os desejos do mundo contemporâneo através do jornalismo, ensaio, literatura e artes plásticas e performativas (design gráfico, ilustração, fotografia, música, cinema, dança, teatro, entre outras).