O Ministério da Agricultura e Florestas estima que a seca que se instalou desde Agosto último em algumas regiões do País afectou cerca de 209 mil famílias. Para responder ao quadro, o MINAGRIF está a implementar medidas emergenciais de mitigação, com custos na ordem dos 4,78 mil milhões de Kwanzas (cerca de 5,2 milhões de dólares), sabe a revista Economia & Mercado.
Deste valor, 4,2 mil milhões Kz (perto de 4,5 milhões USD) serão destinados à aquisição de alimentos para a pastagem do gado, já que o sector da pecuária é dos mais afectados pela estiagem, com milhares de animais mortos por falta de pasto e fontes de abeberamento.
O resto dos valores, de acordo com o plano que conta com parceiros como o Grupo Técnico Empresarial (GTE), vai servir para atender a programa de distribuição de água, aquisição de sementes forrageira e de medicamentos de uso veterinário, extracção do gado debilitado, assistência às famílias afectadas e despesas operacionais.
Actualmente, 916.695 bovinos e 910.615 caprinos estão afectados pela seca

A tutela do sector realça que as províncias do litoral do País, em particular Benguela, Namibe, Cuanza-Sul, Bengo, Luanda (periferia rural) e Icolo e Bengo, estão a enfrentar um período prolongado de estiagem, comprometendo a segurança alimentar e os meios de subsistência de comunidades rurais.
“Nestas províncias concentra-se mais de 25% do efectivo pecuário, sendo o gado um dos principais activos económicos das famílias camponesas. Actualmente, 916.695 bovinos e 910.615 caprinos estão afectados pela seca”, lê-se no plano emergencial do MINAGRIF.
Realce-se que os primeiros sinais de alarme da acentuada devastação de campos - tal como a E&M noticiou – soaram de associações que integram o Grupo Técnico Empresarial (GTE), uma plataforma criada em 2017 para servir de diálogo entre o sector privado e o Governo. Daí, o assunto ‘subiu’ para o Ministério da Agricultura e Florestas. Deu-se, então, início a uma ampla acção de apoio emergencial.
Dados mais recentes apurados pela E&M junto do grupo de empresas parceiras do MINAGRIF nesta causa apontam para a recolha e distribuição de 30 toneladas de farinha de milho pela empresa Induve, 60 toneladas de farinha de milho (Yoniben) e 60 toneladas de farinha de milho, canalizadas pela companhia Fonseca & Irmãos.

Cuanza-Sul já conhece impacto das acções de mitigação
Para a implementação de medidas emergenciais de mitigação dos efeitos da seca, uma equipa do Ministério da Agricultura e Florestas, liderada pelo secretário de Estado para a Agricultura e Pecuária, Castro Paulino Camarada, procedeu, nesta segunda-feira, 30, em Gangula, província do Cuanza-Sul, à entrega de suplementos alimentares e meios logísticos destinados a apoiar as cooperativas de criadores de gado bovino.
Precisamos de introduzir tecnologias que permitam cultivar pastos, produzir silagem e colher feno, aproveitando os cursos de água como o Keve e o Longa
Durante o acto, foram entregues quantidades significativas de feno, farelo de milho, farelo de trigo e sal, parte de um plano que prevê a distribuição de 440 fardos de feno, 45 toneladas de farelo de milho, 65 toneladas de farelo de trigo e 20 toneladas de sal.
Na ocasião, de acordo com um comunicado do MINAGRIF enviado à redacção da revista Economia & Mercado, os Serviços Veterinários locais foram reforçados com duas viaturas novas, destinadas a aumentar a mobilidade técnica e a assistência sanitária na província do Cuanza-Sul.
“Estamos aqui para reforçar a resposta do Governo a esta crise. Precisamos de introduzir tecnologias que permitam cultivar pastos, produzir silagem e colher feno, aproveitando os cursos de água como o Keve e o Longa. O objectivo é quebrar o ciclo onde o gado engorda na chuva e emagrece na seca, construindo uma pecuária mais forte e sustentável”, afirmou Castro Camarada.

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