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“Temos que ver a questão [dos fertilizantes] como commodity”, defende Anderson Jerónimo

Sebastião Garricha
24/2/2026
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Foto:
Andrade Lino

O director do GEPE defende que, à semelhança de países como Brasil, Etiópia e Senegal, o Estado deve garantir, todos os anos, fertilizantes suficientes e a preços competitivos.

De acordo com o director do Gabinete de Estudos, Planeamento e Estatística (GEPE) do Ministério da Agricultura e Florestas, Anderson Jerónimo, o fertilizante é uma matéria-prima estratégica para o mercado global e deve ser tratado como uma commodity.

A posição é apresentada durante a VIII Conferência E&M sobre Agricultura, dedicada ao tema “Indústria de Fertilizantes e Insumos”, onde o responsável destaca o potencial produtivo nacional e a necessidade de garantir oferta regular para sustentar o crescimento do sector.

Segundo Anderson Jerónimo, Angola dispõe de um potencial estimado em 35 milhões de hectares aráveis e conta com cerca de 3,5 milhões de famílias na agricultura familiar, além de empresas que se consolidam e aumentam a sua eficiência produtiva.

Este cenário, aliado ao interesse crescente de investidores estrangeiros, incluindo empresas chinesas, norte-americanas e um consórcio brasileiro que pretende investir em 50 mil hectares, demonstra, no seu entender, que o segmento dos fertilizantes representa uma oportunidade real de negócio.

Além disso, sublinha que a procura mundial de alimentos cresce cerca de 65%, num contexto em que a produção de fertilizantes é limitada e concentrada em poucos países. Refere os constrangimentos associados a mercados como Rússia, China e Marrocos, bem como a dependência de factores de produção localizados no Irão e no Egipto, defendendo que esta escassez reforça o carácter estratégico do produto.

Em termos de capacidade interna, explica que o País conta actualmente com oito misturadoras de fertilizantes, das quais três se encontram em funcionamento, além de duas unidades fabris, incluindo a Mimbos, ainda em fase embrionária.

Entretanto, reforça que a produção nacional permanece insuficiente para responder à procura. Apesar de uma necessidade programática estimada para 800 mil hectares, o consumo situa-se entre 129 mil e 150 mil toneladas nos últimos dois anos, o que corresponde a cerca de 16% das necessidades calculadas.

O director do GEPE defende que, à semelhança de países como Brasil, Etiópia e Senegal, o Estado deve garantir, todos os anos, fertilizantes suficientes e a preços competitivos, articulando a capacidade instalada com as importações necessárias.