Angola pretende, nos próximos anos, criar uma Escola e um Museu do Carnaval, iniciativas que visam profissionalizar o espectáculo, valorizar os grupos carnavalescos e tornar a festa mais sustentável do ponto de vista económico e cultural. A intenção foi avançada pelo presidente da Associação Provincial do Carnaval de Luanda (APROCAL), em entrevista à E&M.
Tany Narciso defende a necessidade de investir na formação artística e técnica, por meio de parcerias nacionais e estrangeiras, sobretudo na componente da indústria cultural: “Temos de dar acções formativas com parceiros nacionais e internacionais. Hoje, por exemplo, o Brasil já tem uma Universidade do Carnaval”.
Segundo o responsável, a criação da Escola e do Museu do Carnaval insere-se numa estratégia mais ampla de valorização do Carnaval nacional, com o objectivo de o aproximar dos padrões internacionais e arrecadar receitas com o evento.
Realça que existe um acordo recente com o projecto cultural Semba in the World com vista ao reforço do turismo cultural, bem como parcerias com o sector das artes plásticas. A ideia, explicou Tany Narciso, é criar uma plataforma integrada que une a cultura, o turismo e a economia.
“Vamos fazer uma simbiose de vários parceiros para formarmos uma plataforma e darmos um conteúdo comercial mais forte ao Carnaval”, assegura, frisando que, na indústria hoteleira, por exemplo, devia haver pacotes especiais.
A organização do entrudo reconhece, no entanto, que o Carnaval nacional continua a ter um modelo pouco comercial. Orçado em cerca de 400 milhões de Kwanzas, nesta edição, a título de exemplo, observa, o evento é gratuito para o público.
“O nosso Carnaval ainda não é comercial. Tudo o que se vê aqui é grátis. No local do evento, apenas existe uma componente comercial limitada, como a dos quiosques”, lamenta Tany Narciso.
De acordo com o presidente da APROCAL, a criação de uma praça de alimentação, este ano, ficou condicionada pela falta de espaço, sendo que um outro entrave, aponta, é a fraca participação da componente empresarial.
Produtores culturais, empresários e investidores ainda mostram reservas em aderir ao evento, sobretudo, devido à conjuntura económica e à falta de contrapartidas atractivas, refere o líder associativo.
“É preciso dar incentivos mais atractivos, e termos coragem para tornar a componente comercial mais forte”, sugere Tany Narciso, que defende a necessidade de a Lei do Mecenato funcionar de forma efectiva, servindo de apoio aos grupos carnavalescos, para quem continuam a enfrentar “muitas dificuldades”.

Por outro lado, o responsável revelou que as autoridades angolanas pretendem, gradualmente, transferir a organização do Carnaval nacional para a sociedade civil, afastando-se da produção directa do evento.
“O Governo não dá festas. Então, quer-se dar esse passo”, afirmou, para mais adiante recordar que a APROCAL, enquanto associação sem fins lucrativos, continua dependente das quotas dos grupos filiados, que também enfrentam sérias limitações financeiras.
“Já nos candidatámos [para instituição de utilidade pública] mas nunca fomos aceites”, afirma o presidente da Associação Provincial do Carnaval de Luanda.
Apesar dos desafios, Tany Narciso garante a ambição da instituição que dirige em preservar e valorizar o Carnaval nacional, que considera o melhor do hemisfério esquerdo do Atlântico, do Norte ao Sul: “O Brasil está de fora”.

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