Os pacotes de patrocínio para o Carnaval de Luanda estão avaliados entre os 10 milhões de Kwanzas e os 100 milhões Kz, mas nenhuma das empresas patrocinadoras atingiu sequer metade do valor máximo disponível, revelou a organização do evento à revista E&M.
O presidente da APROCAL defende que a activação das marcas deve ser proporcional ao montante investido. No entanto, a tendência dos patrocinadores tem sido a escolha do pacote mais baixo, fixado em 10 milhões de Kwanzas, acompanhada de exigências consideradas desajustadas face ao valor pago.
Tany Narciso sublinha que essa situação tem levado a organização a reavaliar os preços dos pacotes de patrocínio. Nesta edição, avança o responsável, nenhuma marca presente atingiu sequer a metade do valor máximo do pacote.
“O indivíduo está a pagar 10 milhões de Kwanzas e quer uma tribuna. Quanto é que nos custa uma tribuna? Então, essa contrapartida tem de existir”, explica o líder associativo.
Revela que, em anos anteriores, chegou a existir o interesse de uma empresa em adquirir os direitos do Carnaval por cerca de 350 milhões de Kwanzas, assumindo a comercialização do marketing e de toda a comunicação, mas a proposta não avançou.
Tany Narciso refere que modelos semelhantes são aplicados noutros países, como o Brasil, onde patrocinadores chegam a investir cerca de 10 milhões de dólares em escolas de samba, permitindo ao governo arrecadar receitas até 50 vezes superiores, sobretudo através do impacto turístico, comercial e produtivo, envolvendo sectores como transportes, aviação e serviços.
O indivíduo está a pagar 10 milhões de Kwanzas e quer uma tribuna. Quanto é que nos custa uma tribuna? Então, essa contrapartida tem de existir
No caso de Angola, o presidente da APROCAL defende uma maior articulação com a indústria turística, nomeadamente a criação de pacotes especiais com hotéis, de modo a responder à procura de turistas que visitam o País nesse período.
Segundo o responsável, já se registam contactos de operadores e particulares que pretendem acolher visitantes, mas encontram dificuldades devido à inexistência de ofertas turísticas estruturadas.
“Devia haver pacotes especiais [nos hotéis] para os turistas. Os hotéis não se viram para esse mercado”, lamenta Tany Narciso, para quem a conjugação destes factores é essencial para tornar o Carnaval mais atractivo e capaz de gerar retorno económico.
A edição 2026 do Carnaval de Luanda, que arrancou neste sábado, 14, na Avenida Dr. António Agostinho Neto (Nova Marginal), sob o lema ‘Carnaval, a Nossa Identidade na Valorização Cultural’, vai contar com a participação de 42 grupos nas Classes A, B e C.
O evento está orçado em cerca de 400 milhões de Kwanzas, dos quais 80 milhões, cerca de 20%, foram assegurados pelo Ministério da Cultura e o restante por patrocinadores privados.

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