Embora abalada com a escassez de divisas para a importação de matéria-prima, o sector de materiais de construção apresenta uma “produção nacional interessante”, segundo a Associação das Indústrias de Materiais de Construção. Sem apresentar números, o presidente da Associação, José Mangueira, garante que o sector apresenta níveis de produção consideráveis em varões de ferro, tijolos, blocos, tintas, carpintarias e cimento. “Há uma série de produtos necessários para a construção que são feitos localmente. Porém, face à situação crítica das divisas, temos muitas fábricas grandes que não conseguem adquirir matérias-primas importadas”, afirmou. Segundo a consultora KPMG Angola, o país apresenta um potencial significativo para a instalação de mais empresas do sector dos materiais de construção, “atendendo aos vários projectos imobiliários”.
“Em Angola há um enorme mercado para o desenvolvimento das indústrias extractiva e transformadora associadas à dos materiais de construção. O mercado é grande e desde que haja capacidade produtiva adequada em quantidade e qualidade, será possível explorar o mercado dos países vizinhos”, considera a consultora.
De tudo o que se produz internamente há ainda um número “infinito” de produtos fora deste conjunto de indústrias bem sucedidas e cuja produção local em larga escala é urgente, segundo a AIA. A lista é preenchida pela Associação Industrial de Angola e nela constam os derivados de cereais, a carne, os frangos, as conservas agrícolas, de peixe e de carne, as bolachas e biscoitos, os artigos de utilidade caseira e de mesa, o vestuário e o calçado.
“Em muitos casos até existe capacidade instalada, mas as políticas não vão ao encontro desse potencial”, disse José Severino, Presidente da Confederação Empresarial de Angola.
“Salve-se quem puder” na indústria do entretenimento
O mercado global do entretenimento crescerá a uma média anual de 4,2% nos próximos cinco anos e, em 2021, chegará aos 2,23 triliões USD, segundo a 18a Pes- quisa Global de Entretenimento e Média publicada pela consultora internacional Price waterhouse Coopers (PwC). O levan- tamento analisou 17 segmentos do sector em 54 países, representando cerca de 80% da população mundial. No entanto, o estudo não faz qualquer referência ao desenvolvimento do sector em boa par- te do continente africano, incluindo, com toda a lógica do discurso, a realidade angolana.
Mesmo assim, o país assiste a uma progressiva produção de conteúdos de entretenimento, desde música, vídeos, artes plásticas e espectáculos musicais. Porém, parte considerável destes conteúdos é produzida à base de recursos (matéria-prima) de fora do território nacional.
Tomando a música como exemplo, 90% dos discos lançados no mercado são produzidos no exterior, conforme disse à reportagem da E&M o agente musical e promotor de eventos Guelmo Cruz.

“A maior dificuldade para quem produz música em Angola centra-se na edição do disco. Não se editam discos no país. Não temos uma fábrica de discos. A que tínhamos, a ENDIPU, encerrou há anos. Ao nível da música, as únicas coisas que se fazem internamente são as gravações de músicas em estúdio e a masterização. Mesmo assim, perto de 70% dos músicos do país prefere masterizar as músicas em França, Portugal e África do Sul”, disse.
Guelmo Cruz lançou alguns números relacionados com a produção musical: a produção de uma única música, no seg- mento mais elevado, pode custar entre 300 mil Akz a um milhão de Akz, “dependendo muito da exigência do artista”. Quanto à produção integral de um disco, 90% elaborado fora de Angola, o promotor de eventos disse que o mesmo não fica abaixo dos 150 mil USD.
A escassez de divisas limitou consideravelmente a produção de discos em Ango- la, conforme revela este Guelmo Cruz. “Já lá vão os anos de glória do lançamento de discos. Saímos de uma média de lançamentos mensais à volta dos dez discos para apenas três”, considerou. Assiste-se à mesma redução no campo dos espectáculos musicais, onde Guelmo Cruz considera ter havido uma redução “estrondosa”. “Até 2013, o país assistia a 300 espectáculos mensais. Actualmente, os shows musicais não ultrapassam os 25. Foi uma redução significativa”, disse. Outro segmento da cultura que sofreu um revés foram as artes plásticas. Para o produtor Dominick Maia, Angola ainda não tem hábitos de consumo deste tipo de produtos feitos localmente. Segundo este produtor, a crise económica tem feito com que não se produza o suficiente, pois 80% da matéria-prima usada em obras de arte é importada e montar uma exposição implica para o artista custos que rondam os 400 mil Akz.

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