O Director do Meio Ambiente Sustentável e Economia Azul da Comissão da União Africana (AUC), Harsen Nyambe Nyambe, revelou, nesta quarta-feira,22, em Luanda, que a economia azul gera aproximadamente 406 mil milhões USD para o Produto Interno Bruto (PIB) do continente africano.
De acordo com o responsável que discursava à margem da 3.ª Conferência de Alto Nível sobre a Economia Azul Sustentável de África, que decorre de 22 à 25 do mês em curso, actualmente, o sector assegura cerca de 49 milhões depostos de trabalho e gera aproximadamente 406 mil milhões USD em rendimento económico.
Com investimentos sustentados e uma implementação eficaz da estratégia africana para a economia azul, projeta-se que, até 2030, o sector aumente significativamente a sua contribuição para a economia do continente. Neste mesmo horizonte temporal, estima-se que o número de empregos gerados pela economia azul cresça de 49 milhões para 57 milhões.
Já no âmbito da Agenda 2063 da União Africana, prevê-se que, até ao final da sua implementação, o sector seja capaz de criar 78 milhões postos de trabalho, enquanto o rendimento económico poderá atingir cerca de 576 mil milhões USD.
O principal desafio, disse Harsen Nyambe Nyambe, não reside na ausência de estratégias ou de quadros qualificados.
“África dispõe de diversos instrumentos orientadores, entre os quais a Agenda 2063, a Estratégia e Plano de Acção para a Biodiversidade, a Estratégia Africana para a Economia Azul e a Estratégia Marítima Integrada de África. O verdadeiro obstáculo continua a ser a implementação efectiva dessas políticas”, observou.
Neste contexto, continuou, a responsabilidade colectiva deve centrar-se em reduzir a distância entre as estratégias definidas e as acções concretas.
Aquele representante da União Africana considerou crucial acelerar a implementação das políticas existentes e criar condições para atrair investimentos que impulsionem o crescimento da economia azul no continente.
“Mais do que assumir compromissos, é necessário alcançar resultados tangíveis que melhorem a vida das populações africanas. Isso passa portransformar o conhecimento científico em soluções práticas capazes de gerar emprego, fortalecer a resiliência das comunidades e proteger os ecossistemasmarinhos e costeiros”, acrescentou.
Entretanto, 38 dos 55 Estados-membros da União Africana são países costeiros ou possuem acesso ao ambiente marinho. Além disso, o continente dispõe cerca de 240 mil quilómetros quadrados de recursos hídricos transfronteiriços, para além dos inúmeros ecossistemas costeiros e marinhos que sustentam milhões de pessoas.
Ao longo dos próximos dias, serão debatidas oportunidades concretas de investimento, o reforço da cooperação regional, a promoção da inovação e da transformação digital, bem como mecanismos inovadores de financiamento para a economia azul.
As discussões abordarão igualmente formas de empoderar mulheres ejovens e de criar mais oportunidades para todos os africanos.
Um dos principais resultados esperados no encontro é a elaboração da ´Declaração de Luanda´, documento que deverá orientar a implementação das medidas prioritárias para os próximos anos.















