A economia empresarial moçambicana continua marcada por fortes assimetrias de desempenho entre sectores, com elevada concentração do volume de negócios e dos lucros em áreas estratégicas, num cenário de crescimento económico ainda moderado, estimado em 2,8% para 2026.
A constatação é da recente edição da pesquisa “100 Maiores Empresas de Moçambique”, que evidencia uma economia empresarial exigente e fortemente concentrada, em que poucos sectores e grandes empresas sustentam a maior parte da actividade, dos lucros e do emprego formal.
De acordo com a análise a que a revista Economia & Mercado (E&M) teve acesso, a indústria concentra praticamente a totalidade do volume de negócios das maiores empresas de Moçambique, afirmando-se como o principal motor da economia empresarial moçambicana. Entre as 23 empresas analisadas no sector, 16 integram o ranking das 100 Maiores, registando um volume de negócios agregado de cerca de 298,9 mil milhões de meticais (quase 4,7 mil milhões de dólares), o que corresponde a 99,5% do total apurado no ranking.
“Num contexto de crescimento económico moderado, este padrão coloca desafios à diversificação produtiva, à competitividade e à inclusão económica”, revela a pesquisa.
O estudo revela ainda que empresas como a mineradora Vulcan Mozambique, a empresa de alumínio Mozal e a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), mantêm a liderança em dimensão e rentabilidade, com destaque para a HCB, que apresentou lucros superiores a 14,1 mil milhões de meticais, equivalente a 218,7 milhões de dólares. O sector emprega cerca de 14 mil trabalhadores, confirmando o seu peso económico e social.
Não obstante, o sector dos Serviços mantém igualmente um papel estruturante na economia formal de Moçambique. Neste sector, o volume de negócios totalizou 88,3 mil milhões de meticais (1,3 mil milhões de dólares), dos quais 93,8% foram gerados por empresas integradas no ranking. A estatal Electricidade de Moçambique (EDM) continua a dominar o sector, concentrando a maior fatia das receitas e dos resultados líquidos. No conjunto, os serviços empregam mais de 26 mil trabalhadores, reforçando a sua relevância na estrutura do emprego formal.
Já nos Transportes e Armazenagem, o carácter estratégico do sector volta a evidenciar-se. Liderado pela CFM – Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique, registou lucros agregados de 6,6 mil milhões de meticais, apesar de um ligeiro recuo face ao exercício anterior. O aumento de novas entradas no sector aponta para oportunidades associadas à logística, aos corredores de desenvolvimento e à integração regional.
Paralelamente, o sector de Construção apresentou um volume de negócios agregado de 21,3 mil milhões de meticais (330,4 milhões de dólares), igualmente concentrado nas empresas do ranking. Embora os lucros sejam mais modestos, os indicadores de liquidez revelam capacidade de cumprimento das obrigações financeiras, ainda que o desempenho do sector permaneça dependente do ritmo do investimento público e privado.
Entretanto, em sentido oposto, os sectores do Comércio e do Alojamento, Restauração e Similares registam sinais mistos. O comércio alcançou um volume de negócios de 108,9 mil milhões de meticais (1,6 mil milhões de dólares), mas os lucros recuaram mais de 19%, pressionados pelo aumento dos custos operacionais e pela redução das margens. No turismo e hotelaria, apesar do crescimento do volume de negócios para 1,29 mil milhões de meticais (18,6 milhões de dólares), o sector mantém uma escala reduzida e elevada vulnerabilidade a choques de procura.

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