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FMI adia novo apoio financeiro para Moçambique e sugere mais apertos

Hermenegildo Langa
15/6/2026
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Foto:
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O Fundo Monetário Internacional (FMI) terminou a sua avaliação em Moçambique sem, mais uma vez, nenhum acordo à vista para o novo programa de financiamento.

A expectativa sobre o novo programa financeiro desde que uma equipa do FMI escalou o país na semana passada era enorme. Contudo, após avaliação, o FMI preferiu não decidir sobre a aprovação do novo pacote financeiro.

Recorde-se que o novo programa financeiro é negociado após Moçambique ter decidido em Abril passado antecipar a liquidação total da sua dívida no valor de 701,4 milhões de dólares, equivalentes a 514,04 milhões de Direitos de Saque Especiais (SDR), encerrando desta forma todos os pagamentos pendentes e antecipando o calendário de amortizações que se estenderia até 2030 junto daquela instituição financeira.

Durante os quatro dias de trabalho em Maputo, a equipa do FMI liderada por Pablo Lopez Murphy manteve encontros com diversas autoridades moçambicanas, com destaque para o Banco de Moçambique e o Ministério das Finanças. As partes voltaram a discutir a possibilidade de um novo programa de apoio financeiro ao país.

Desta vez, o FMI concluiu que a economia moçambicana continua a atravessar um período desafiante, marcado pela subida da inflação e pela persistência de vulnerabilidades fiscais e externas. Apesar de reconhecer que a actividade económica está a recuperar gradualmente após a contracção registada em 2025, o FMI assinala que “o país continua a debater-se com dificuldades económicas, num contexto internacional cada vez mais complexo”, acompanhado por crescimento moderado e abaixo do seu potencial.

“A inflação aumentou recentemente, embora partindo de níveis moderados. Os desequilíbrios fiscais reduziram-se em 2025, num contexto de condições de financiamento restritivas, mas persistem vulnerabilidades fiscais e da dívida”, refere o comunicado do FMI.

Maior exposição à choques externos

O FMI assinala igualmente que os desequilíbrios externos aumentaram ao longo do último ano, devido à redução das exportações e ao crescimento das importações associadas a grandes projectos de investimento. A instituição sublinha ainda que a persistente escassez de divisas continua a pressionar as importações e a actividade económica.

Em jeito de recomendação, a equipa do FMI instou ao Executivo moçambicano para “reforçar o quadro da política monetária e cambial, preservar a estabilidade financeira, melhorar a governação e promover o crescimento liderado pelo sector privado”.

Sobre o novo programa financeiro, o FMI prometeu regressar a Maputo nos próximos meses para aprofundar essa negociação. “A equipa discutiu com as autoridades o seu pedido de um programa apoiado pelo Fundo e regressará a Maputo nos próximos meses para aprofundar este pedido e os planos de política das autoridades”, referiu o chefe da missão a Moçambique.

Após a avaliação técnica da semana passada, o Executivo moçambicano explicou em nota estar ainda optimista quanto ao novo apoio do FMI, visto que “maior parte das recomendações anteriormente dadas por aquela instituição foram cumpridas”.

Em nota, o Governo moçambicano, através do Ministério das Finanças referiu que acolheu com espírito positivo as recomendações apresentadas pela equipa, em especial a restauração da estabilidade macroeconómica do país, em linha com o Plano de Consolidação Fiscal de Médio Prazo.

“O Governo aguarda o regresso da missão para finalizar as discussões sobre um potencial Programa de Facilidade de Crédito Alargado com o FMI, com vista a avançar prontamente com a implementação das reformas necessárias para restaurar a estabilidade fiscal do país”, lê-se.

As discussões sobre um novo pacote de financiamento permanecem assim em aberto, esperando pela nova avaliação e decisão do FMI.