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FMI alerta para agravamento da crise no Congo e pede disciplina orçamental

Adnardo Barros
18/3/2026
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FMI defendeu maior controlo orçamental e a priorização do investimento público e dos gastos sociais dirigidos às camadas mais vulneráveis.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) advertiu para o agravamento das vulnerabilidades económicas na República do Congo(Congo-Brazzaville), exortando as autoridades de Brazzaville a adoptarem medidas urgentes para conter a degradação das contas públicas e evitar uma crise mais profunda.

Em comunicado divulgado recentemente no final de uma missão de avaliação, os directores executivos da instituição concluíram que o desvio orçamental registado em 2025, aliado ao aumento das pressões de liquidez e à lentidão das reformas estruturais, agravaram os riscos fiscais, externos e da dívida do país.

"Os directores observaram que as vulnerabilidades se intensificaram como resultado do descontrolo orçamental, do aumento das pressões de liquidez e da lenta implementação de reformas estruturais", lê-se na nota.

Perante este cenário, o FMI instou o Governo congolês a reforçar a disciplina orçamental e a acelerar as reformas para consolidar a estabilidade macroeconómica. A equipa do Fundo defendeu ainda a necessidade de mobilizar o apoio dos parceiros de desenvolvimento para lançar as bases de um crescimento mais robusto e inclusivo.

Os directores saudaram o compromisso das autoridades em restaurar a disciplina fiscal, mas sublinharam a urgência de aumentar a arrecadação de receitas internas. Entre as medidas recomendadas estão o alargamento da base tributária, a simplificação das isenções fiscais e o reforço da administração tributária.

No domínio da despesa, o FMI defendeu maior controlo orçamental e a priorização do investimento público e dos gastos sociais dirigidos às camadas mais vulneráveis. A implementação integral do sistema de informação de gestão financeira (SIGFIP) foi apontada como essencial para assegurar finanças públicas mais sustentáveis.

Dívida sob pressão

Com a dívida classificada como "em dificuldades", a instituição liderada por Kristalina Georgieva insistiu na necessidade de reforçar a sua gestão para evitar novos incumprimentos. O FMI recomendou um planeamento mais rigoroso do serviço da dívida, a regularização dos atrasados e a contratação de nova dívida apenas em condições concessionais.

Os directores reconheceram que a capacidade do Congo para reembolsar o Fundo é, para já, adequada, mas alertaram para riscos elevados, nomeadamente as avultadas necessidades de refinanciamento, a escassez de crédito nos mercados regionais e uma eventual quebra dos preços do petróleo.

O FMI encorajou ainda as autoridades a avançarem com reformas na governação e no combate à corrupção, essenciais para atrair investimento privado e gerar emprego. Foi igualmente realçada a necessidade de reforçar a supervisão bancária, dado o aumento da exposição dos bancos ao risco soberano.