A fundição de alumínio Mozal, a maior unidade industrial em Moçambique, encerrou este domingo, 15 de Março, oficialmente as suas actividades, após 25 anos no país, uma operação que deverá comprometer as receitas fiscais da província de Maputo em 40%.
A decisão surge na sequência do fracasso das negociações para garantir energia a preços competitivos para a indústria.
O encerramento da fábrica de fundição de alumínio em Moçambique, unidade da multinacional australiana South32, vai afectar mais de 5000 trabalhadores, 1000 dos quais empregados directamente pela empresa, uma vez que obrigará à paralisação de cerca de 25 empresas que prestam serviços à unidade fabril.
Para o Governo moçambicano, a paralisação das operações da Mozal, iniciada há cerca de duas semanas, “poderá ter impactos económicos, sobretudo devido à ligação da empresa com várias indústrias e fornecedores de serviços”. “A produção da fundição tem um peso significativo na economia nacional, particularmente no sector das exportações. O produto que saía de lá contava muito na balança de exportações de produtos, o que era algo considerável. Era uma das principais fontes de exportação que tínhamos”, destacou o porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa, na última sexta-feira.
Ao longo dos 25 anos de actividades em Moçambique, unidade de fundição de alumínio foi uma das maiores unidades industriais de Moçambique, com impacto relevante na balança comercial, com uma contribuição de cerca de 3,9% do Produto Interno Bruto (PIB), bem como na geração de empregos directos e indirectos.
Contudo, em meados de Dezembro último, a Mozal confirmou a suspensão das operações na sua fundição de alumínio devido à incapacidade da Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) de garantir fornecimento de energia eléctrica suficiente e a preços competitivos.
O impasse nas negociações de um novo contrato de fornecimento de energia, com tarifas consideradas sustentáveis pela empresa, levou à suspensão das operações.
Sobre as negociações em torno do fornecimento de energia, o porta-voz do Governo moçambicano explicou que o Governo considerou existir margem para encontrar uma solução, sobretudo no que respeita à capacidade energética que o país poderia disponibilizar dentro das suas possibilidades.
Calcula-se que a Mozal necessite de cerca de 950 megawatts de energia, uma quantidade que, segundo o governante, o país não está actualmente em condições de fornecer. “Quem é o actual fornecedor de energia para a Mozal é a África do Sul, que também não está em condições de fornecer; não podemos saber os termos ou as razões em que afirmam isso”, referiu Inocêncio Impissa.
Segundo explicou o governante, caso fosse possível assegurar essa capacidade energética, as negociações poderiam ter prosseguido, permitindo eventualmente alcançar um preço mais ajustado e as devidas compensações.
Mas haverá retoma
Para já o Governo prevê que as actividades da Mozal possam retomar daqui a um ano após serem observados alguns trabalhos de manutenção. Segundo o Governo, a fundição está a entrar numa fase de manutenção e conservação, processo que obriga à interrupção gradual das actividades industriais associadas.
Inocêncio Impissa frisou que o plano actual da empresa prevê colocar a fundição num programa de manutenção básica, não significando o encerramento definitivo da unidade industrial. “Estima-se que sejam necessários cerca de 12 meses para que a fundição volte a operar normalmente”, avançou o porta-voz durante um briefing à imprensa realizado em Maputo para apresentar o balanço das acções do Governo nos últimos dias.

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