A petrolífera francesa TotalEnergies e a sua congénere americana ExxonMobil lançaram, esta semana, um concurso conjunto para contratar sete navios e rebocadores de apoio, após ter sido concluído que ambas empresas irão movimentar 400 navios de gás natural por ano na península de Afungi, na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique.
A TotalEnergies lidera o Projecto GNL Moçambique, com um orçamento estimado em cerca de 20 mil milhões de dólares. Em 2021, a Total foi forçada a interromper as operações, na sequência de um ataque terrorista contra a cidade de Palma. No entanto, este ano, a petrolífera retomou o projecto, uma vez que as condições de segurança melhoraram.
Por sua vez, a norte-americana ExxonMobil lidera a construção e operação de futuras instalações de liquefação de gás natural e instalações relacionadas para o bloco de águas profundas da Área 4, ao largo da costa de Cabo Delgado. O projecto é operado pela Mozambique Rovuma Venture (MRV), uma joint venture detida pela ExxonMobil, pela empresa italiana de energia ENI e pela CNPC da China.
“O concurso tem como objectivo encontrar serviços seguros e eficientes para o transporte, carga e descarga de GNL dos locais de produção para os mercados globais”, lê-se no documento divulgado no jornal Notícias de Moçambique.
Segundo as duas petrolíferas, os serviços a serem contratados incluem, além de recursos humanos, “cinco rebocadores com 80 toneladas de tração estática, um barco-piloto e dois barcos de trabalho, com o concurso já a antecipar a movimentação de 160 navios-tanque de GNL e dez navios-tanque de condensado anualmente para a Área 1, e 220 navios-tanque de GNL e 15 navios-tanque de condensado para a Área 4”.
Outro projecto Coral Norte FLNG, liderado pela multinacional italiana Eni, que dá continuidade ao Coral Sul FLNG, que entrou em operação em 2022, num investimento superior a 7 mil milhões de dólares, prevendo o desenvolvimento, construção e operação de uma unidade flutuante de liquefacção de gás natural com capacidade anual de 3,55 milhões de toneladas métricas.
O Coral Norte FLNG prevê ainda a afectação de parte da produção de gás natural para fins estratégicos, incluindo o acesso a combustíveis limpos para cozinhar, o desenvolvimento industrial interno, a exportação de gás para países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) e a implementação de projectos de geração de energia a gás, reforçando a segurança energética regional.
Moçambique entrou no mercado de gás natural liquefeito com a plataforma Coral Sul que, em três anos, gerou receitas, empregos e oportunidades para empresas locais. Com reservas provadas superiores a 180 triliões de pés cúbicos de gás natural na bacia do Rovuma, o país perfila entre as maiores do mundo.

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