1. O ex-campeão do mundo de xadrez, Garry Kasparov - hoje refugiado na Croácia -, alertou o mundo para a possibilidade de, dentro de algum tempo, a Rússia invadir um dos 3 países bálticos – Estónia, Letónia, Lituánia – membros da União Europeia e da NATO, desde 2004. Esses 3 países foram incorporados em 1940 na antiga União Soviética, a coberto de uma cláusula secreta inserida no chamado “Pacto Molotov-Ribbentrop”, assinado, em 1939, pelos soviéticos e a Alemanha Nazi, visando a divisão da Europa Oriental em esferas de influência, soviética e alemã. Com a queda do “Muro de Berlim” e o consequente desmoronar da União Soviética, os 3 países bálticos proclamaram a independência, sedo rapidamente declarados estados soberanos pela Comunidade Internacional.
2. No final da década de 1980, estive, por alguns dias, na Estónia, enquanto funcionário do Ministério do Plano, no quadro de uma Comissão Conjunta. Aí foi-me muito fácil constatar uma grande animosidade, sobretudo entre os mais jovens, para com os russos. Uma dessas manifestações de desagrado aconteceu quando, tentando exercitar os meus parcos conhecimentos da língua russa, reparei na sua completa indiferença, perguntando-me, inclusive, e sem rodeios, porque não falava com eles na língua local. Vi, assim, que o russo era a língua dos colonizadores, mesmo que houvesse lá uma significativa presença de russos.
3. Desde então, os países bálticos têm empreendido um crescente movimento de afastamento da influência russa, tendo aderido ao modelo político e social ocidental. Por isso, vão cortando alguns dos mais significativos vínculos económicos com a antiga potência colonial, sendo um dos mais significativos cortes, por exemplo, a rutura com a dependência energética da Rússia. Vincularam-se à rede europeia através da Polónia.
4. Em resposta, Vladimir Putin leva a cabo o que hoje já se vai chamando “uma guerra híbrida” pois, ao mesmo tempo que intensifica a agressão à Ucrânia, ensaia provocações de menor intensidade, mas claras e inequívocas, por meio de ciberataques, acções de propaganda e desinformação, interferência política nos processos eleitorais, apoio a partidos políticos internos, e o mais inquietante: exercícios militares próximo das suas fronteiras, o que dá forte consistência às denúncias feitas por Garry Kasparov.

%20-%20BAI%20Site%20Agosto%20%20(1).png)












