A Zâmbia iniciou conversas preliminares com a China sobre um possível acordo de swap cambial. A medida, uma manobra cautelar, visa mitigar riscos nas transacções com o maior credor bilateral e reduzir a exposição à dívida denominada em dólares.
As negociações técnicas ocorrem em paralelo aos esforços do país da África Austral para concluir um prolongado processo de reestruturação da dívida externa, conforme confirmou à Bloomberg o director do escritório de gestão da dívida do Ministério das Finanças zambiano, Masitala Mushinga.
Este movimento reforça a crescente influência financeira de Pequim no continente. Recentemente, a Zâmbia tornou-se o primeiro país africano a aceitar formalmente o yuan chinês para o pagamento de impostos e royalties do sector mineiro, um dos mais estratégicos da economia.
Para facilitar a transição, o Banco da Zâmbia começou a publicar, no mês passado, uma taxa oficial de câmbio entre o renminbi (yuan) e o kwacha, dando às empresas mineiras a opção de liquidar obrigações fiscais na moeda chinesa ou em dólares.
A estratégia zambiana reflecte uma tendência mais ampla no continente, que se transforma num campo de testes para a política chinesa de internacionalização do yuan. Casos similares ganham terreno. O Quénia reestruturou parte de uma dívida ferroviária de 5 mil milhões de dólares para yuan, numa operação que poderá gerar poupanças anuais de cerca de 250 milhões de dólares. A Etiópia, por sua vez, também iniciou discussões no mesmo sentido, indicando um possível novo caminho para a gestão de créditos bilaterais chineses em África.

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